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Reprise aos sábados, 11 horas
Na TV Brasil

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Entrevista com Lúcia Rosenberg sobre muitos filhos e a relação entre irmãos

Oi, gente!
Gostaram do programa de hoje? Estava especialmente divertido com aquela garotada toda no estúdio, não é verdade?

Bem, conforme sempre fazemos, segue mais uma entrevista com um especialista. Desta vez, a repórter Rosângela Santos conversou com a psicoterapeuta Lúcia Rosenberg sobre o tema da semana: muitos filhos nos dias de hoje e a relação entre irmãos. Confiram o que ela tem a dizer e façam seus comentários!

RS: Filhos múltiplos ou muitos filhos: existe segredo para esta mãe para que tudo dê certo?
LR: A primeira regra é não generalizar. É não fazer regras. Mas acho que existe um ingrediente básico que eu chamo de aceitação do prazer em conhecer cada um desses filhos que compõem esta família. A tendência de quando se tem muitos filhos é de uniformizar, fazer um pacote de filhos e tratá-los todos da mesma maneira. Os pais criam regras que facilitam suas vidas. Mas complicam a vida dos filhos, pois a compreensão do sentido das regras não é oferecido, é regra e pronto. Então, as crianças só podem usar tal quarto, comer em tal hora, ir para o colégio, fazer esporte... Há pouco espaço para cada filho se apresentar e se revelar com toda a sua natureza. Seria como plantar um monte de árvores todas grudadinhas. Elas não têm espaço para crescer e se expandir... O grande segredo é ter o prazer de conhecer cada um dos filhos que você trouxe ao mundo.

RS: Existem pais que falam “nossa, está vendo, eu crio todos iguais, mas eles são tão diferentes”. E eles são diferentes?
LR: Fundamental esta pergunta. Criar os filhos da mesma maneira, oferecer auxílios e as mesmas coisas parece justo, mas é tornar os filhos “tamanho único”. Cada um é um. Cada um tem sua natureza, seu jeito, seus limites, seus recursos, suas potencialidades, suas mágoas... Não se deve tratar todos iguais. Ao contrário, acho que o grande gesto de amor é ter espaço, curiosidade, compreensão e aceitação para que cada um possa ser como é.

RS: Como lidar com o ciúme?
LR: O ciúme é muito motivado pelo filho sentir que o irmão tem necessidades preenchidas e ele não. Então, se os pais conseguirem olhar individualmente para cada filho, a chance de preencher a necessidade de cada um, os desejos de cada um, aumenta muito. Diferentemente de você uniformizar ou tomar um como exemplo: “Ah, deu tão certo com o primeiro, eu fazia assim e ele respondia da maneira que eu queria... Eu vou fazer assim com todos porque, afinal de contas, filho se trata assim...” Não é verdade!!! Filhos são pessoas e a gente não pode esquecer que não existe um ser humano igual ao outro no mundo. Então, mesmo que você crie da mesma maneira, as pessoas são diferentes – um é tolerante, o outro é bravo, a outra é carinhosa, um é atento, o outro é avoado... São características da natureza de cada um. Isso deve ser respeitado.

RS: Como fica no caso de gêmeos e trigêmeos?
LR: Acho muito importante não vestir igual. Já basta ter o mesmo rosto. Continuam sendo duas pessoas diferentes. A gente percebe isso em gêmeos logo bebês. São diferentes - um mais dorminhoco, um tem mais fome. E as diferenças só tendem a se desenvolver. Se tudo der certo, cada um vai ser diferente do outro. Isto é sinal de que estamos oferecendo condições para que aquela criatura se expresse do jeito que é. A única coisa que é para sempre é filho. Não conheço mais nada que seja para sempre. É um projeto de longa duração. Projeto de vida. Temos que reconhecer as diferenças e aprender com elas. Filho é uma grande escola e a gente não sabe ser mãe antes de ter filho.

RS: Muitas mães dizem que não conseguem se dividir e ficam com muita culpa. Como mulher deve fazer?
LR: Primeiro ter calma, muita calma. Depois, ter ajuda, muita ajuda. Acho que em torno de uma mãe de 3 filhos deve-se fazer uma ciranda de mulheres - mãe, avó, tias, irmãs... Acho que a gente deve lançar mão deste recurso antigo. Eu não estou falando de serviçais. No meu livro, Cordão Mágico, falo do umbilical, mas nós mulheres temos uma ciranda mágica que nos une e que, antigamente, a gente aproveitava mais. Não é fácil você ter mais de um. Dois, ainda segura, mas 3 não é fácil! Mas a gente tem que se adequar à realidade que a vida nos presenteou. A mãe não pode ter culpa de não conseguir dar para 3 o que ela conseguiria dar para um de cada vez. Mas ela vai aprender a ter calma, vai ensiná-los a esperar. A vez dele vai chegar. Não vai faltar o colo, o seio, o leite... Mas há tempo de espera. Quando a mãe não é aflita, com culpa, se sentindo atrasada todo tempo, o filho espera ali na chupeta, no colo da vovó... Os meus filhos têm uma diferença de idade muito pequena. Então, na hora de dar de mamar, eu dava para um de cada vez. Mas é um momento que gera ciúme no mais velho. Então, na hora, eu chamava o mais velho, colocava o nenê no peito e maiorzinho no colo durante toda mamada até ele dizer que queria brincar. Ok, não fui eu que o tirei, ele que não quis mais... Quando nasceu o terceiro, o banquinho usado para escovar os dentes virou banquinho da ordenha. Então, sentava o mais velho no banquinho com cabeça no colo, o nenê no peito e aí a do meio ficava deitada no ombro - temos foto disso! Não tinha exclusividade, nem exclusão. Tem que inserir um irmão com o outro, tem que ser assim...

RS: E o papel do pai hoje em dia?
LR: Eu acho que vem crescendo muito. Ele vem ampliando atributos. Antigamente, o papel do pai era prover e punir. “Deixa seu pai chegar que você vai ver...” Isso mudou muito. Tem um livro de um italiano que a capa é o pai segurando o filho como a mãe segura: perto do peito. No filme Rei Leão, o filho nos braços do pai era mostrado... O pai vem abraçando a paternidade. Hoje se vê mais pais trocando fralda, buscando na escola, levando para o tênis, participando de reuniões... Atributos que antes eram estritamente maternos.

RS: O filho mais velho é exemplo?
LR: Filho é escola de mãe. No primeiro filho, a gente rascunha bobagens. É importante saber se retratar, pedir desculpas, saber onde exagerou, onde exigiu demais. O mais velho só veio antes, mas é tão filho quanto o caçula. Exemplos somos nós: pai e mãe. Esta é a nossa responsabilidade. Irmão mais velho não nasceu para ser exemplo para ninguém. O que eu recomendo é estimular o mais velho que ele seja um irmão muito legal, que dê apoio, seja parceiro, cúmplice, que goste de ensinar o mais novo - se tiver paciência. Mas ele não foi feito para ser exemplo para ninguém.

RS: As mães quando engravidam do segundo filho ficam com culpa, não sabem o que dizer... Como preparar a criança para chegada de um irmão?
LR: Lembro quando estava grávida da minha segunda filha... Eu olhava para o Mateus e pensava “meu Deus, não vou gostar de ninguém que nem eu gosto dele, como vou fazer???” Esse milagre do tamanho do coração de mãe é tão legal de perceber, né? Acho que todas as mães passam por isso. Poucas revelam, mas todas passam. A barra de chegar e encontrar um nenê não é fácil, não. A criança precisa de compreensão e cumplicidade diante da dificuldade que vai enfrentar para reencontrar seu lugar. O que atenua o ciúme é não deixá-lo de escanteio com a chegada do bebê. Tem que ter ajuda. O pai deve sair com o mais velho. A mãe pode deixar o pequeno com alguém e sair com o mais velho...

RS: Mãe tem receita?
LR: Aceitação, amor, curiosidade, criatividade... Acho que não é receita, né? São dicas fundamentais. A calma, muita calma... Não tentar forjar o filho, fazer com que ele seja o que você quer ou que realize o que você não conseguiu. Você é você e cada um dos seus filhos é um indivíduo. Acho que a grande receita é lembrar disso...

É isso aí!!! E para quem não conseguiu assistir, tem reprise do programa no domingo (13h30), na segunda (12h30) e na terça (18h30). Não percam!!!

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Ter muitos filhos é o tema do Papo de Mãe desta quinta!

Nesta quinta-feira (29) o Papo de Mãe estará com estúdio cheio. O tema da semana é família grande. Embora a média de filhos por casal tenha diminuído nos últimos 50 anos, ter mais de dois filhos ainda é opção de muitos pais. Essa situação é frequente para os casais que se submetem a tratamentos de fertilização e que têm vários filhos de uma vez. No estúdio, uma grávida de trigêmeos fala sobre suas expectativas; uma mãe de sete filhos e outra mãe de 12 contam como é viver em uma casa sempre cheia. Já a terapeuta familiar Virginia Gonçalves dá dicas para que os pais não deixem a vida de casal de lado. E a psicóloga Lúcia Rosenberg, mãe de três filhos, fala sobre a importância de fugir da uniformização na hora de educar tantos filhos de uma vez.
Reprises no domingo, às 13h30; segunda-feira, às 12h30 e terça-feira, às 18h30

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Como prevenir acidentes?

Quando nos tornamos pais tudo o que mais queremos para nossos filhos é que eles cresçam felizes e saudáveis, sem que nada de ruim lhes aconteça, não é mesmo? Infelizmente, acidentes com crianças e adolescentes são fatalidades comuns e os números registrados assustam.
Segundo o Ministério da Saúde, os acidentes são a principal causa de morte de crianças de 1 a 14 anos no Brasil. Todo ano, são seis mil mortes e 140 mil internações. A queda é a principal causa de internação entre crianças e adolescentes de 0 a 14 anos.
Em 2005, foram registradas setenta e cinco mil internações por quedas, que podem provocar traumatismos cranianos gravíssimos. E de acordo com a faixa etária, alguns acidentes são mais freqüentes. No ano de 2006, por exemplo, a principal causa de morte entre crianças de 0 a 1 ano foi a sufocação. Já de 1 a 14 anos, o afogamento.
O Papo de Mãe fez questão de trazer este assunto à tona devido à sua importância. Quem assistiu o programa pode ver o depoimento de mães que perderam seus filhos e que hoje trabalham para ajudar a proteger os filhos de outras pessoas. É o caso de Sílvia Basile que, após perder a filha em um acidente, hoje preside associação Férias Vivas, cujo objetivo é a educação para um turismo seguro e responsável, disseminando uma cultura de prevenção de acidentes através da implantação de padrões reconhecidos mundialmente.
A seguir, reunimos algumas dicas de prevenção dos acidentes mais comuns entre crianças e adolescentes. A fonte é o site Criança Segura.

AFOGAMENTO: Um adulto deve supervisionar de forma ativa e constante as crianças e adolescentes, onde houver água, mesmo que saibam nadar ou os lugares sejam considerados rasos; esvaziar baldes, banheiras e piscinas infantis depois do uso e guardá-los sempre virados para baixo e longe do alcance das crianças; conservar a tampa do vaso sanitário fechada, se possível lacrado com algum dispositivo de segurança “à prova de criança” ou a porta do banheiro trancada; manter cisternas, tonéis, poços e outros reservatórios domésticos trancados ou com alguma proteção que não permita “mergulhos”; piscinas devem ser protegidas com cercas de no mínimo 1,5m que não possam ser escaladas e portões com cadeados ou trava de segurança que dificultem o acesso dos pequenos; nunca deixe as crianças, sem vigilância, próximas a pias, vasos sanitários, banheiras, baldes e recipientes com água; evitar brinquedos e outros atrativos próximos à piscina e aos reservatórios de água; tenha um telefone próximo à área de lazer e o número da central de emergência; saiba quais os amigos ou vizinhos têm piscina em casa e quando seu filho for visitá-los, certifique-se de que será supervisionado por um adulto enquanto brinca na água; bóias e outros equipamentos infláveis passam uma falsa segurança (podem estourar ou virar a qualquer momento e ser levado pela correnteza - o ideal é usar sempre um colete salva-vidas quando próximos a rios, mares, lagos e piscinas); crianças devem aprender a nadar com instrutores qualificados ou em escolas de natação; sempre usar colete salva-vidas aprovado pela guarda costeira quando estiver em embarcações em praias, rios, lagos ou praticando esportes aquáticos. O rápido socorro é fundamental para o salvamento da criança que se afoga, pois a morte por asfixia pode ocorrer em apenas 5 minutos. Por isso é tão importante que pais, responsáveis, educadores e outras pessoas que cuidam de criança aprendam técnicas de Reanimação Cardiopulmonar (RCP).

ATROPELAMENTO: O mais importante que você pode fazer para ensinar um comportamento de pedestre seguro é praticá-lo você mesmo: atravesse as ruas olhando para ambos os lados, respeite os sinais de trânsito e faixas para pedestres, sempre que possível, e faça contato com os olhos dos motoristas antes de atravessar na frente deles; não permita que uma criança menor de 10 anos atravesse a rua sozinha - a supervisão de um adulto é vital até que a criança demonstre habilidades e capacidade de julgamento do trânsito; entradas de garagens, quintais sem cerca, ruas ou estacionamentos não são locais seguros para as crianças brincarem; tenha certeza de que as crianças sempre usam o mesmo trajeto para destinos comuns (como escola); escolha o trajeto mais reto, com poucas ruas para atravessar; uma lanterna ou materiais reflexivos nas roupas da criança podem evitar atropelamentos. Ensine a criança a olhar para os dois lados várias vezes antes de atravessar a rua; atravessar quando a rua estiver livre e continuar olhando para os lados enquanto atravessa; utilizar a faixa de pedestres sempre que disponível - mesmo na faixa, a criança deve olhar várias vezes para os dois lados e atravessar em linha reta; entender e obedecer aos sinais de trânsito; não atravessar a rua por entre carros, ônibus, árvores e postes; nunca correr para a rua sem antes parar e olhar - seja para pegar uma bola, o cachorro ou por qualquer outra razão; em estradas ou vias sem calçadas, caminhar de frente para o tráfego (no sentido contrário aos veículos) para as crianças verem e serem vistas; fazer contato visual com o motorista ao atravessar a rua para ter certeza de ser visto; observar os carros que estão virando ou dando ré;  sempre que estiver com mais crianças, é preciso caminhar em fila única; ao desembarcar do ônibus, esperar que o veículo pare totalmente e aguardar que ele se afaste para atravessar a rua.

ENVENENAMENTO/INTOXICAÇÃO: Guarde todos os produtos de higiene e limpeza e medicamentos trancados, fora da vista e do alcance das crianças; mantenha os produtos em suas embalagens originais; nunca coloque um produto tóxico em outra embalagem que não a sua, pois poderá ser confundido com algo sem perigo; saiba quais produtos domésticos são tóxicos (produtos comuns como enxaguantes bucais podem ser nocivos se a criança engolir em grande quantidade); dê preferência a embalagens de segurança;  tampas de segurança não garantem que a criança não abra a embalagem, mas podem dificultar bastante, a tempo que alguém intervenha; nunca deixe produtos venenosos, sem atenção enquanto os usa; não crie novas soluções de limpeza misturando diferentes produtos designados para outro fim; sempre leia os rótulos e bulas, siga corretamente as instruções para dar remédios às crianças, baseado no peso e idade, e use apenas o medidor que acompanha as embalagens de medicamentos infantis; nunca se refira a um medicamento como doce pois isto pode levar a criança a pensar que não é perigoso ou que é agradável de comer; como as crianças tendem a imitar os adultos, evite tomar medicamentos na frente delas; saiba quais plantas dentro e ao redor de sua casa são venenosas, remova-as ou deixe-as inacessíveis para as crianças; quando adquirir um brinquedo para a criança, certifique-se que ele é atóxico, ou seja, não contém componentes tóxicos; jogue fora medicamentos com data de validade vencida e outros venenos potenciais; mantenha telefones de emergência próximos aos aparelhos de telefone de sua casa; instale detectores de fumaça em sua casa. Em caso de intoxicação, entre em contato imediatamente com o pronto-socorro ou Centro de Controle de Toxologia de sua cidade para receber orientações adequadas. Crianças com até dois anos de idade correm maior risco de um envenenamento não intencional. Produtos de limpeza e medicamentos são riscos significantes. Os bebês também podem se envenenar respirando a fumaça de cigarros.

QUEDAS: As quedas podem causar sérias lesões, como os traumatismos cranianos. As crianças devem brincar em locais seguros. Escadas, sacadas e lajes não são lugares para brincar; use portões de segurança no topo e no pé das escadas (caso sua escada seja aberta, instale redes ao longo dela); instale grades ou redes de proteção nas janelas, sacadas e mezaninos; crianças com menos de 6 anos não devem dormir em beliches ( se não tiver escolha, coloque grades de proteção nas laterais); mantenha camas, armários e outros móveis longe das janelas, pois podem facilitar que crianças os escalem e se debrucem; verifique se os móveis e o tanque da lavanderia estão estáveis e fixos; ao andar de bicicleta, skate ou patins, o capacete é o equipamento fundamental; cuidado com pisos escorregadios e coloque antiderrapante nos tapetes; crianças devem ser sempre observadas quando estiverem brincando nos parquinhos. O risco de lesão é quatro vezes maior se a criança cair de um brinquedo com altura superior a 1,5 metro. Verifique se os brinquedos estão em boas condições e se são adequadas à idade da criança. O uso de andadores não é aconselhado pela Sociedade Brasileira de Pediatria, pois além de comprometerem o desenvolvimento saudável da criança, podem causar sérias quedas; mantenha uma mão segurando o bebê durante a troca de fraldas (nunca deixe um bebê sozinho em mesas, camas ou outros móveis, mesmo que seja por pouco tempo); crianças não devem brincar próximas as barreiras e barrancos.

QUEIMADURAS: Manter as crianças longe da cozinha e do fogão, principalmente durante o preparo das refeições; cozinhar nas bocas de trás do fogão e sempre com os cabos das panelas virados para trás para evitar que as crianças alcancem e entornem os conteúdos sobre elas; evitar carregar as crianças no colo enquanto mexe panelas no fogão ou manipula líquidos muito quentes; quando estiver tomando ou segurando líquidos quentes, fique longe das crianças; nada de toalhas de mesa compridas ou jogos americanos, pois as mãozinhas curiosas podem puxá-las, causando escaldadura ou queimadura de contato.

SUFOCAÇÃO/ENGASGAMENTO: crianças devem dormir em colchão firme de barriga para cima, cobertos até a altura do peito com lençol ou manta que estejam presos embaixo do colchão; seja especialmente cauteloso em relação ao berço escolhido;  procure berços certificados conforme as normas de segurança do Inmetro; fique atento aos espaços das grades de proteção do berço, elas não devem ter mais que 6cm de distância entre elas; remova todos os brinquedos e travesseiros do berço quando o bebê estiver dormindo, para reduzir o risco de asfixia; compre somente brinquedos apropriados para a criança. Brinquedos pequenos e partes de brinquedos podem provocar engasgamentos - verifique as indicações de idade do selo do Inmetro; tenha certeza de que o piso está livre de objetos pequenos como botões, colar de contas, bolas de gude, moedas, tachinhas; considere a compra de cortinas ou persianas sem cordas para evitar que crianças menores corram o risco de estrangulamento.

É isso aí pessoal, confiram mais dicas sobre como evitar acidentes no http://www.criancasegura.org.br/. E para quem ainda não viu o programa, amanhã, terça-feira, 17h30, tem a última reprise do Papo de Mãe sobre como evitar acidentes. Não percam!!!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Próximo programa: como evitar acidentes

O programa Papo de Mãe inédito desta quinta-feira (22) vai tratar de um assunto muito sério: acidentes. Segundo o Ministério da Saúde, os acidentes são a principal causa de morte de crianças de 1 a 14 anos de idade. São seis mil mortes e 140 mil internações por ano, segundo as informações. São vários os tipos de acidentes que causam transtornos como a queda – principal causa de internação entre crianças e adolescentes – afogamento, sufocação, queimaduras e tantos outros.

Neste programa, as jornalistas Mariana Kotscho e Roberta Manreza conversam sobre os riscos de acidentes de acordo com a idade e dão  dicas de como evitá-los. Até mesmo algumas brincadeiras podem ser motivos de preocupação dos pais e educadores. Papo de Mãe terá histórias emocionantes de mães que perderam seus filhos e que, embora tristes, acabam servindo de alerta. Silvia Basile, por exemplo, fundou a ONG Férias Vivas depois de perder a filha em um acidente. Agora, ela trabalha para evitar que outras famílias passem pelo mesmo sofrimento. Alessandra François, presidente da ONG Criança Segura; e Glaucia Alonso, médica da AACD, também trazem para o debate histórias e muita informação sobre o assunto.
Não percam, às 17h30, nesta quinta, na TV Brasil!
ATENÇÃO!!!
A equipe do Papo de Mãe entrará no estúdio para gravar seis novos programas a partir do dia 24/10. Os temas serão os seguintes:
- Relação com avós
- Espírito de Natal
- Ano Novo: previsões astrológicas e terapias alternativas
- Câncer infantil
- Amamentação
- Sono dos filhos e sono dos pais
Quem quiser participar de uma gravação (é preciso estar em São Paulo/SP) escreva para [email protected] Vocês também podem participar enviando perguntas e depoimentos para serem lidos no programa. Basta clicar em COMENTÁRIOS abaixo ou enviar por e-mail.  Bjs!!!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Adoção: trecho do programa

Olá!!!
Sabemos que ADOÇÃO é um assunto muito delicado e que merece todo nosso respeito. Por isso, o Papo de Mãe procurou abordar o tema com muito cuidado e carinho. Esperamos que vocês tenham gostado! Quem perdeu o programa ainda tem a chance de assistir a última reprise amanhã, terça-feira, às 17h30, na TV Brasil.

Segundo a Associação de Magistrados do Brasil (AMB), hoje, oitenta mil crianças brasileiras vivem em abrigos. Porém, apenas duas mil e quinhentas estão no Cadastro Nacional de Adoção (CNA) - criado para unificar e compartilhar dados de crianças e adolescentes em condições de serem adotados e de pessoas interessadas em adotar.

Embora saibamos que existem muitos interessados em adotar, o grande problema é que cerca de 80% dos candidatos a pais procuram crianças com menos de três anos de idade. Porém, apenas 7% das que estão prontas para adoção estão nesta faixa etária. Além disto, irmãos também têm maiores dificuldades para encontrar uma família, pois 84% dos pretendentes a pais preferem adotar apenas uma criança.

Acreditamos que uma maior conscientização sobre o verdadeiro papel da adoção seria um grande passo para a melhora desta situação. É preciso deixar claro que adotar não é fazer caridade, mas é estar aberto para dar e receber amor, independentemente da aparência ou da idade da criança. Outro aspecto importante, que não pode ser deixado de lado, é a questão da burocratização e morosidade dos processos de adoção, o que também acaba tornando a espera angustiante – tanto do lado dos pais como do lado da criança.

No Brasil, há vários grupos de apoio à adoção em diversos Estados brasileiros. Para maiores informações, consulte o site da Associação Nacional dos Grupos de Apoio à Adoção: www.angaad.org.br.
Fiquem agora com um trecho do Papo sobre adoção:
 

E a nossa dica de hoje é o livro "A Casa das Fadas" de Danilo Donzelli, que aborda o tema Adoção.  No livro, vocês vão conhecer a história de Dudu, um menino de 5 anos, que adora imitar aviões, gosta de brincar e de correr. Só que Dudu é muito triste, mora num abrigo, foi abandonado pelos seus pais ainda muito pequeno. Seu maior sonho é ter um papai e uma mamãe, uns colinhos fofinhos e gostosinhos, só para ele. Acompanhe o Dudu nas suas aventuras para encontrar uma família... Você vai rir, se emocionar, chorar e, sobretudo, se divertir! Vocês podem adquirir o livro pelo blog do autor ou no site da editora Multifoco. Parabéns pelo trabalho, Danilo!!! Sucesso!!!

 




ATENÇÃO!!!
A equipe do Papo de Mãe entrará no estúdio para gravar seis novos programas a partir do dia 24/10. Os temas serão os seguintes:
- Relação com avós
- Espírito de Natal
- Ano Novo: previsões astrológicas e terapias alternativas
- Câncer infantil
- Amamentação
- Sono dos filhos e sono dos pais

Quem quiser participar de uma gravação (é preciso estar em São Paulo/SP) escreva para cont[email protected] Vocês também podem participar enviando perguntas e depoimentos para serem lidos no programa. Basta clicar em COMENTÁRIOS logo abaixo. Participem!!!

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Adoção: relato de uma espera...

Oi pessoal!
Esta semana o Papo de Mãe está tratando sobre o tema ADOÇÃO e nós gostaríamos de compartilhar com vocês o relato da Letícia Godoy, jornalista e mãe, que nos conta um pouco do seu sentimento de espera por dois filhos adotivos. 


A espera pelos meus filhos 

Paciência, espera, sonhos, planos, luta, amor, muito amor... palavras que definem bem quem está a espera do filho adotivo. No meu caso, pense nestes sentimentos em dobro, sim, porque eu espero por dois.
Dois meninos, entre dois e seis anos, irmãos, os meus meninos...
Já sou mãe de um adolescente de 15 anos, amo meninos, e não vejo a hora de poder falar no plural “os meus três filhos”, “os meus três meninos”.
A adoção é morosa, o perfil da criança restrito e falta de profissionais nas Varas da Infância e Juventude amplia esta espera. Por outro lado, a espera (claro que não estou falando da excessiva) se faz necessária, é o pré-natal do filho que virá...
Esse período pré-adoção é o preparo, é hora de ler, buscar informações, trocar ideias com outras famílias que já adotaram, participar de grupos de apoio...
Os sentimentos são iguais aos da espera de um filho biológico. Quando estava grávida do meu filho imaginava seu rostinho, fazia planos para nossa vida, comprava suas roupinhas e sabia que nove meses depois ele estaria em meus braços ....
Agora, também sonho com seus rostinhos, mas não posso comprar suas roupinhas, não sei qual será o tamanho deles nem quando chegarão. Não sei nem se essa gravidez tem prazo determinado para acabar...
Procuro ocupar meu tempo e minha cabeça. Além do blog , escrevo um diário - na verdade nem é diário, escrevo quando algo de novo acontece. Nele vou contando o nosso passo a passo...
Inicia quando decidimos pela adoção e tudo que estamos passando para que, mais tarde, eles possam ler e ver o quanto foram desejados e esperados. Será o livro da vida deles, a nossa história com deles...
De forma alguma quero com meu diário apagar suas origens, mas apenas contar a nossa história, contar o dia que eles nasceram em nossas vidas e este dia foi o dia que decidimos que seríamos pais por adoção.
Não acredito em acaso. Há muitos anos já existia a sementinha da adoção em meu coração, mas este ano plantei minhas sementinhas que estavam guardadas e tenho certeza que elas darão bons frutos.
Comecei como todos os pretendentes à adoção. Busquei informações de como começar o processo e o que fazer, mas fui atingida em cheio pelo tema. Brinco que fui totalmente adotada pela adoção!
O assunto tomou uma dimensão na minha vida que nem eu mesmo esperava. Fiz um blog e hoje levanto a bandeira e luto pela adoção consciente, por melhores condições de trabalho dentro das Varas da Infância e Juventude. Luto pelo direito das crianças de crescerem em família, com amor, cuidados e dignidade.
Por Letícia Godoy

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Letícia, a equipe do Papo de Mãe agradece seu relato e deseja de coração que, em breve, seus filhos estejam em seus braços! Temos certeza de que, em algum lugar desse enorme Brasil, eles estão esperando por você com a mesma ansiedade que você está esperando por eles! 
Parabéns pelo belo trabalho!! Felicidades!! Mande notícias!!
Um grande beijo, 
Equipe Papo de Mãe

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Entrevista com advogado Eli Alves da Silva sobre Adoção

Oi pessoal, segue agora a entrevista feita pela repórter Rosângela Santos com o advogado Eli Alves da Silva, presidente da Comissão Especial de Direitos à Adoção da OAB de São Paulo.


RS: Hoje em dia é muito difícil adotar uma criança no Brasil?
ES: Eu diria que desde que preenchidos os requisitos legais não existem muitas dificuldades.

RS Quais são esses requisitos?
ES: Quem quer adotar precisa ter mais de 18 anos e, no mínimo, deve ter 16 anos a mais do que a criança que pretende adotar. Além disso, na medida em que a pessoa se coloca na condição para adotar uma criança ou adolescente, ela deverá procurar um juiz da infância e da juventude para demonstrar seu interesse e vai passar por um processo que concluirá na inclusão dele no cadastro nacional da adoção. Haverá um estudo por um assistente social e um psicólogo que orientarão a situação do pretendente ou casal pretendente. Isso vai ser analisado pelo juiz  que autorizará a inclusão no cadastro nacional de adoção.

RS: Quando uma criança está pronta para ser adotada?
ES: É importante que todos os cuidados sejam tomados porque a decisão é definitiva. Isso para que exista segurança para família e para criança que está sendo adotada. Com relação às crianças que estão nos abrigos, é evidente que já existem crianças em condições de serem adotadas, já que não existe mais o vínculo do poder familiar. É que existem crianças que ainda estão em processo judicial para concluir a desconstituição do poder familiar.

RS: É importante para criança que ela saiba que ela é adotada?
ES: Não tenho dúvida que é importante tratar com verdade e transparência. Os pais adotivos que ocultam vão enfrentar uma situação desastrosa no futuro. Segredo não existe neste aspecto. Alguém da família acaba revelando (até num descontrole emocional) e isso acaba sendo um trauma. Pode desaguar em desequilíbrio emocional da criança.

RS: Por que tanta criança para ser adotada, tanta gente querendo adotar e essa conta não fecha?
ES: Diria que isso é culpa da própria sociedade porque existem as pessoas que querem adotar e, muitos deles, querem adotar para imaginar que estão fazendo uma caridade e, de repente, ter a criança como um troféu. A grande maioria quer recém nascido ou no máximo com até um ano de idade, que seja menina, branca e de olhos azuis. Isso acontece muito e entre as crianças para adoção a maioria não tem este perfil específico. As pessoas têm que ter consciência de que adotar não é fazer caridade. Adotar é estar disposto a amar e ser amado. Impor requisitos para fazer a adoção é distorção. É importante que quem quer adotar esteja sem vínculo de querer impor características. A adoção tem que ser encarada de uma maneira também natural e não é fazendo essas restrições que vai resolver o problema. Não estamos também impondo que pessoas tragam para família um problema, mas esse aspecto tem que ser encarado. Não se impõe que um filho vá nascer daquele jeito que a gente imagina. Assim, vão sobrando nos abrigos para adoção crianças que passam de 3 anos. Os que estão acima de 12 anos, então, é quase inexistente o interesse para adoção.

RS: Quanto tempo leva em média para adotar uma criança?
ES: Se pessoa não for muito exigente, a adoção pode sair em 6 meses. Se tiver disputa judicial, aí pode haver demora maior. E tem um outro aspecto também que a gente verifica: a dificuldade de se adotar um grupo de crianças quando é da mesma família. A justiça tenta direcionar para uma mesma família para não separar irmãos porque já existe um trauma e fragmentar elo entre irmãos é mais traumático ainda. A tendência é canalizar para uma família só.

RS: Cadastro nacional de adoção muda algo?
ES: Acho que isso é a realidade. Facilita em todos os sentidos. Antes, a pessoa que pretendia adotar tinha que fazer cadastro em várias comarcas para que pudesse "disputar" (no bom sentido) em vários lugares. Hoje, com cadastro nacional, uma vez admitida, a pessoa que quer adotar é cadastrada e pode surgir uma criança para ser adotada em qualquer cidade do país. O cadastro está visível em todos os pontos do Brasil.

RS: Existe uma fila de espera?
ES: As pessoas vêm sendo prestigiadas por ordem na fila, mas dependendo da situação, o juiz pode privilegiar outra pessoa. É uma liberdade que juiz deve ter - ele não pode ficar engessado dentro de uma situação pré-determinada.

RS: Hoje, legalmente, uma pessoa pode adotar sozinha?
ES: Pode.

RS: E casais homossexuais?
ES: Também podem. Não existe restrição objetiva. Existem divergências de posicionamentos e tudo pode ser selecionado no processo de inclusão no cadastro para que o juiz possa tomar uma decisão - seja para pessoa individual ou casal. Tudo passa por um levantamento da situação, das condições de vida que criança vai ter naquela família. Mesmo sendo casal homossexual. Se for concluído que não existe nada que coloque em risco a criança, o juiz pode deferir para homossexual.

RS: É importante a criança conhecer sua origem?
ES: Tudo deve ser feito de maneira transparente e com verdade. Se ela quiser conhecer a sua origem natural mais tarde, ela terá este direito. Vê e conhece. Tira aquela cortina de fumaça da frente e que não vai trazer a necessidade de se vincular ao pai natural. Pai adotivo não deve ter esta insegurança - não é o fim do mundo.
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Fiquem ligados na reprise do programa sobre ADOÇÃO no domingo (13h30), na segunda (12h30) e na terça (17h30). Até mais!!

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Gravação de novos programas

Oi pessoal!
A equipe do Papo de Mãe entrará no estúdio para gravar seis novos programas a partir do dia 24/10. Os temas serão os seguintes:
- Relação com avós
- Espírito de Natal
- Ano Novo: previsões astrológicas e terapias alternativas
- Câncer infantil
- Amamentação
- Sono dos filhos e sono dos pais

Quem quiser participar de uma gravação (é preciso estar em São Paulo/SP) escreva para [email protected]. Vocês também podem participar enviando perguntas e depoimentos (por e-mail ou nos comentários abaixo) para serem lidos no programa. Não esqueçam de colocar o nome completo e a cidade. Participem!!!
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E não percam o próximo Papo de Mãe, nesta quinta-feira, dia 15/10, às 17h30. O tema abordado será ADOÇÃO e promete muita emoção, com entrevistas de especialistas, de adotantes e de filhos adotivos. Para quem deseja adotar uma criança, o programa vai dar dicas e informações importantes. Fiquem ligados!!!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Próximo programa: ADOÇÃO

Olá!
O programa sobre o conflito entre carreira e maternidade estava especialmente interessante. O principal motivo é que este assunto acaba sendo democrático, pois não importa a idade, a raça, o credo, o lugar ou a condição financeira: quando chega a hora de ir para o trabalho, coração de mãe balança...

O que também chamou bastante atenção foram os depoimentos dos homens. Embora os afazeres domésticos ainda sejam vistos como obrigações femininas – segundo uma pesquisa do IPEA, as mulheres, além de trabalharem fora tanto quanto os homens, ainda acumulam muito mais serviços domésticos, em média três vezes mais do que eles – pudemos ver que, em algumas famílias, não é bem assim que acontece. Cada vez mais vemos homens assumindo tarefas tipicamente femininas, ficando em casa para cuidar dos filhos e ajudando no lar, enquanto as esposas saem para trabalhar. E o mais legal de tudo isto é que muitos deles acabam curtindo esta troca de papéis!

E não percam o próximo Papo de Mãe, nesta quinta-feira, dia 15/10, às 17h30. O tema abordado será ADOÇÃO e promete muita emoção, com entrevistas de especialistas, de adotantes e de filhos adotivos. A adoção de menores é autorizada pelo Estatuto da Criança e do Adolescente e a Constituição brasileira estabelece igualdade de direitos entre filhos naturais e adotados. Para quem deseja adotar uma criança, o programa vai dar dicas e informações importantes. Estarão no estúdio a geneticista Fernanda Jehee, que tem três filhos adotivos: Lara, Denis e Natália; Maria Esther Pacheco Soub, de 46 anos, mãe de dois filhos adotivos: Willian, de 23 anos, e Luis Fernando, de 4 anos; e Ângela Lima, socióloga e mãe solteira de um filho adotivo. O especialista entrevistado é o desembargador Fermino Magnani Filho, que já foi juiz da Infância e Juventude. A reportagem da semana é com o advogado Eli Alves da Silva, presidente da Comissão Especial de Direitos à Adoção da OAB/SP. Fiquem ligados!!!

Por fim, hoje temos uma dica bem bacana para vocês sobre o programa PARATODOS: é que no sábado, dia 17/10, o programa será especial, totalmente voltado para as crianças! Dentre as atrações, uma entrevista com a atriz Rosi Campos (a bruxa mais querida do Brasil, eternizada na pele da personagem Morgana do Catelo-Rá-Tim-Bum); uma matéria feita no coração do Ceará, no Vale do Cariri, que mostra como as tradições são mantidas em plena era da internet; uma matéria sobre a “Rádio Maluca”, um programa exibido pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro, que é uma versão moderna dos antigos shows de auditório; e, pela primeira vez, o programa recebe convidados: as crianças do Coral SESC Vila Mariana e a cantora Fortuna. O PARATODOS é o primeiro programa produzido pela TV Brasil de SP e vai ao ar aos sábados, das 19h30 às 20h, com reprise nas quartas-feiras, às 19h. Valeu!!!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Entrevista com Dra Dorli Kamkhagi sobre carreira x maternidade

Olá!
Hoje pudemos conferir o programa sobre o conflito entre maternidade e carreira.
Agora, segue a íntegra da entrevista feita pela repórter Rosângela Santos com a psicanalista Dra. Dorli Kamkhagi para o Papo de Mãe.

RS: Carreira e maternidade. Conciliar isso é um dilema para mulher moderna?
DK: Sim. É um grande dilema e as mulheres, muitas vezes, acabam fazendo opções que as deixam muito frustradas e machucadas. Elas acabam escolhendo abandonar algo muito precioso, que elas vinham se dedicando há muito anos, que é a carreira, em nome de ser uma mãe maravilhosa, em nome de um ideal, que é quase impossível. Ideal não existe. A gente tenta o que é possível - que é ser boa mãe, cuidadosa. Mas para isso acontecer, o sonho pessoal da mãe também é importante. Se este sonho for ter um trabalho que vai significar algo, se ela vai se sentir potente, ganhando dinheiro, sendo reconhecida, no momento em que ela abandona isso, nem sempre ela consegue se sentir feliz e realizada.

RS: Como conciliar?
DK: É difícil, mas é possível. Se ela não tiver expectativa altíssima de que tem que tirar nota 10 em tudo. Se ela puder entender que o filho pode ficar em alguns momentos sem ela, que o filho sobrevive com alguma ajuda (neste caso pode ser funcionária em casa, avó, escolinha, creche), que ela pode estar passando o melhor que ela tem na qualidade (que nem sempre significa quantidade) e que no trabalho dela, ela pode ser boa, mas não tem que ser perfeita. Se ela for buscar o máximo, ela acaba se exaurindo e adoecendo. Acho que é possível. Passei por esta experiência na minha vida. Tive que driblar algumas coisas. Em alguns momentos, eu precisei faltar no trabalho. Em outros momentos, tive que faltar em casa. Então, acho que a gente convive com a falta. Nem sempre se consegue estar em tudo e o filho aprende a valorizar que a mamãe está dormindo ou a mamãe está estudando e trabalhando. Ele aprende a ficar perto desta mãe que trabalha, estuda, desenvolve uma tarefa e é bom isso. Isso estrutura uma família.

RS: Como administrar a culpa?
DK: Analista, padre, confessionário... (risos). A culpa acompanha um pouco, mas a gente pode pensar em co-responsabilidade. Se essa mãe tem marido, se o companheiro entender que ela está fazendo o máximo, o melhor, e nem sempre ela vai dar conta de tudo, e que se ela escolheu estar neste momento no trabalho ou num seminário, isso é importante pra ela. Em outro momento, ela vai estar com filho no cinema, nas férias. Então, ela consegue viver amplamente cada momento. Sei que isso não é possível o tempo todo. Eu lembro de muitos momentos da minha vida em que era meio-dia, estavam todas as mães na porta do colégio e eu não estava. Isso quer dizer que eu era a pior? Não, não era a pior. Eu não podia fazer isso...Tem uma somatória nas relações. A vida entre filhos e pais é constituída de muitas situações. Vai se formando uma teia de amor, de carinho, de limites, de “minha mãe não é tão maravilhosa”. Pais precisam suportar a idéia de não ser tudo. A gente vive numa sociedade, numa cultura, que é como se os filhos não pudessem ter frustrações e é péssimo isso. E o que acontece? A gente vê tantos jovens infelizes, dependentes de drogas, com depressões - porque é como se precisassem ter tudo, um playground de motivações o tempo todo. Acham que precisam ter tudo e não é isso que é bom. Lembro que alguns anos atrás para criança ter alguma coisa era mesada, tinha limites. Nem ter todas as férias, nem todas as festas. A mãe que dá um pouco talvez esteja dando muito e é importante que esta mãe saiba que esta quantidade dela pode ser não tão grande, mas pode ser preciosa.

RS: Muitas mulheres quando ficam grávidas enfrentam problemas no trabalho. Tem que haver uma divisão?
DK: É difícil e importante porque, em algumas profissões, não dá mesmo para conciliar (como jogadoras, modelos...). Hoje em dia, está se adiando a maternidade por conta da medicina, da carreira, da longevidade, da cultura. Precisamos ter dinheiro, ajudar o marido, ter independência e postergar coisas, como a gravidez.

RS: Mulher, carreira, filho. Sobra tempo para o marido?
DK: É importante. Este marido vem aqui e diz que quer ser cuidado, que não aguenta mais ver as calcinhas penduradas na torneira... Ele quer afeto, quer o lado sexual. Então, muitos casamentos entram num vácuo. Mulheres cansadas adiam o encontro sexual. Então, é muito importante o papel de mulher. Manter o encontro homem/mulher é fundamental. Filhos gostam de perceber que entre pai e mãe existe algo que eles não precisam fazer parte. Freud chamava de “o terceiro excluído”. A criança não tem que participar de tudo, não tem que estar em todas as camas. Aí entram os limites. A mãe precisa se cuidar e ter espaço para namorar. Se é casada ou não, precisa ser olhada. Mas muitas mães fazem dos filhos maridos, e acabam adoecendo os filhos e se adoecendo também.

RS: Tem mulheres que quando os filhos nascem optam por parar de trabalhar. É uma boa opção?
DK: É uma opção. Só que eu vejo que, lá na frente, paga-se um preço. Essa opção dá uma zona de tranqüilidade legal por alguns anos. Mas na minha experiência como profissional há 30 anos, eu tenho visto que, quando começa a bater a história do “ninho vazio” (filhos namorando, filhos que saem de casa), ela precisa se dedicar a alguma coisa. Todo mundo tem que ter algo para fazer, seja trabalho ou trabalho social voluntário.

RS: Como conciliar? Existe meio termo?
DK: Acho que as pessoas que conseguem não ser tão exigentes e vão fazendo aos poucos... Em alguns momentos, dão umas paradas... Elas podem se permitir até momentos sabáticos. Numa hora, cuidar mais disso, em outra menos... Sem abandonar sonhos. Tem um brilho no olhar diferente quem consegue se reconstruir.

RS: Como se sente uma mulher em ascensão na carreira quando engravida?
DK: Para algumas é o coroamento porque sentem “agora eu tô podendo, vou ter um filho”. Para algumas bate desespero, medo... Tem que trabalhar quem é este filho, que espaço ele vai ter.

RS: E a volta ao trabalho após licença-maternidade?
DK: É difícil, mas importante, porque a mulher precisa voltar. O ambiente de trabalho também deve reconhecer que ela está voltando. Mas talvez num outro ritmo. Não é mais só ela. Ela tem preocupações novas agora. Passa a ter uma sensibilidade maior - que até pode ajudar muito. Nos EUA e na Europa, estão voltando a pensar no meio período de trabalho e tem dado certo. A mulher fica mais em casa e rende mais no trabalho.

RS: Crianças precisam de pais por perto?
DK: Pais sempre são importantes. Precisam estar próximos. A criança precisa de formação. O olhar da mãe cuida e alimenta, ajuda num caminho. Ela pode fazer isso trabalhando. Sem dúvida, o filho vai se orgulhar dela e vai ser bom para ela. Ela vai se olhar no espelho e dizer “que legal, foi cansativo, mas eu estou aqui! “.
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Por falar em conflito entre carreira e maternidade, clique aqui e confira a entrevista que Mariana Kotscho deu para o site Vila Mulher falando sobre o assunto. 
E para quem perdeu o programa de hoje, fique ligado nas reprises: domingo (13h30), segunda (12h30) e terça (17h30). Valeu, gente!

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Limites, novo tema da semana e agradecimentos

Oi pessoal!
O programa sobre limites foi muito elogiado e nós queremos agradecer a audiência, o carinho e a participação de todos os entrevistados.
Realmente, quando se fala em limites, fica difícil saber até que ponto estamos agindo da maneira correta. Por isso, sempre é bom ouvir o que os especialistas têm a dizer a respeito. A entrevista com o Dr. Içami Tiba veio muito a contribuir sob todos estes aspectos.
Embora saibamos que não exista uma “receita” sobre qual a melhor maneira de educar e impor limites aos nossos filhos, sabemos que se nossos atos forem tomados com bom senso, consciência e equilíbrio, a probabilidade de estarmos agindo da maneira certa é grande. Por isto, temos que ser coerentes com o que fazemos e com o que ensinamos para nossos filhos.
Perder a cabeça e bater numa criança, por exemplo, não adianta nada. Lembrem-se do que o Dr. Içami Tiba falou: o exemplo vem de casa, cabe aos pais educarem seus filhos. Se a violência for usada como forma corretiva dentro de casa é na rua que ela também se manifestará. Só que ninguém quer que seu filho aprenda que os erros são corrigidos na base da violência, não é mesmo? Afinal, não é assim que as coisas funcionam (ou não deveriam funcionar) e não é assim o mundo que nós desejamos para eles.
Inclusive, a palmada já é proibida em 17 países (Ex: Suécia, Finlândia, Dinamarca). No Brasil, a proibição dos castigos físicos e humilhantes é ainda um projeto de lei (projeto n. 2.654/03, de autoria da deputada Maria do Rosário), que proíbe qualquer tipo de agressão física contra a criança e o adolescente. O objetivo deste projeto é substituir os castigos físicos por formas pedagógicas que priorizem o diálogo e o respeito à integridade física. Porém, é preciso deixar claro que o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n. 8069/90) já garante a proteção contra qualquer forma de violência, inclusive por parte dos pais.
Para finalizar, fica aqui a dica de uma campanha muito bacana sobre este assunto que é a “Não bata. Eduque”. Vocês podem encontrar maiores informações no endereço eletrônico http://www.naobataeduque.org.br/.
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Bem, amanhã temos novo tema no programa! O assunto abordado será o conflito entre a CARREIRA e a MATERNIDADE. Temos certeza que este é um assunto que interessa muito a todas nós, mães e profissionais, que vivemos neste eterno dilema: como conciliar o trabalho e a educação dos filhos? Não percam, amanhã, quinta-feira, às 17h30, na TV Brasil. Reprises no domingo, às 13h30; na segunda, às 12h30 e na terça, às 17h30.
Um grande beijo,Clarissa

Em tempo: queremos agradecer ao jornalista Luiz Carlos Azenha pela força e pedir a vocês que acompanhem o programa NOVA ÁFRICA – série da TV Brasil que dá voz aos africanos e retrata a diversidade do continente. Toda sexta, às 22 horas. Conheçam o blog do programa e também o trabalho do Azenha pelo site: http://www.viomundo.com.br/. Valeu!!!

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Entrevista com Dr. Içami Tiba sobre Limites

Oi gente!

O tema desta semana é LIMITES. E quando se fala neste assunto, as opiniões são as mais diversas, não é mesmo? Entretanto, em uma coisa todos concordam: a tarefa de educar é algo bastante complexo e exige muita responsabilidade.

Confiram a entrevista de Içami Tiba, psiquiatra e educador, concedida à repórter Rosângela Santos para o Papo de Mãe e vejam o que ele tem a dizer sobre o assunto.
RS: Como educar os filhos nos dias de hoje?
IT: Hoje, para se educar, os pais precisam se preparar porque não adianta ser pai e mãe biológicos, pois isso não capacita pais para educarem. Então, a melhor maneira de educar é os pais aprenderem como se educa conforme a idade. Hoje, existe uma literatura muito vasta, basta que os pais coloquem como prioridade. Pode ser assistindo a um programa como este (Papo de Mãe), pode ser lendo livros... Em todos os jornais, pelo menos uma vez por semana, tem destaque uma parte para educação. Tem revistas... Então só não lê, só não se atualiza, quem ainda não entendeu que precisa colocar isso como prioridade.

RS: Antigamente era mais fácil educar?
IT: Não. Antigamente, não se educava também. Exigia-se e escravizava-se. Se a gente tivesse sido educado, nós saberíamos como educar. Educação é uma competência. É como um líder: um líder ensina o outro a ser líder também. Uma pessoa que é chefe ensina o outro a ser chefe. Nós aprendemos a ser chefes e não líderes. Mas hoje estamos numa outra época, em que os filhos aceitam muito a liderança, só que ela é rotativa, não é de uma pessoa só.  Se o filho entende de internet e o pai não entende, então quem vai liderar este tema vai ser o filho, e todos na família ganham com isso. Ficou de ponta cabeça. O pai antes era o provedor, o sabedor de tudo, o que vai resolver tudo. Hoje não é mais assim... Às vezes, o pai está doente, não sabe que doença tem e o filho identifica porque o pai do amigo teve e dá uma força. Aquela relação vertical hoje se horientalizou para a família. A educação seria algo assim: um grupo de pessoas empenhadas no bem estar da família. Isso vai reverter num bem estar da sociedade com grandes olhos para o bem estar do planeta.

RS: Na sua opinião, quais são os maiores desafios que os pais enfrentam hoje?
IT: Primeiro ponto: a falta de conhecimento educativo. Segundo: é que as opções são muitas e os pais estão meio perdidos em qual é o melhor caminho. Terceiro: os filhos não são mais os mesmos. Antigamente, antes da era da internet, de crianças indo cedo para a escola, era fácil passar valores para os filhos porque eles conviviam com as famílias intensamente, sem interferência externa. Hoje, a interferência começa muito cedo com babá, TV, escola... Então, quando a criança começa a entender as coisas, ela já está incorporando junto com valores familiares outros valores. Aí a criança começa a contestar o que os pais fazem...

RS:Quando é que os pais devem impor limites às crianças?
IT: Desde que nascem porque nós precisamos de um limite biológico. O parto é o sinal de que pais não podem aceitar uma criança folgada que queira ficar 10 meses na barriga. E é assim também quando se começa a amamentar. A criança tem que ter ritmo de alimentação e não se alimentar quando quer. Não quer mamar, mas fica usando o seio como chupeta. Isso não pode! Então, tudo tem que ter ritmo. Chama-se ritmo biológico. A partir da compreensão da criança... Nós temos que ver qual competência a criança tem para fazer. Não adianta pedir algo muito elaborado, que ela não tenha idade para fazer. Mas é a partir das coisas simples que ela fizer, isso vai alimentando o ego dela, dando uma auto-estima suficiente de que “eu sou capaz”. Ela vai acreditando e vai crescendo cada vez mais competente. Agora, se nós fazemos por ela, ela aprende a depender, e estamos aleijando essa força da auto-estima que viria desde o comecinho. Ela fica numa espécie de “bolha”, que vai crescendo dentro da própria pessoa e isso muda tudo na vida. Determina se vai ter uma boa auto-estima ou uma auto-estima fraca.

RS: O “não” que vira “sim” prejudica muito as crianças?
IT: Prejudica muito. Muito porque não formamos cidadãos. Então formamos regras sociais à nossa maneira desde que não sejamos pegos. Em casa a mãe diz “não”. Aí a criança não faz nada até que a mãe ou o pai fala “sim” e derruba tudo. É o último dominó que derruba todos os “não” ditos até então. O que criança aprendeu? Existe regra? Existe sim, mas basta insistir que eu consigo. Isto é o grande drama do Brasil: todas as pessoas que furam as regras são as pessoas que uma hora acham que vão conseguir o que querem! Para a criança não tem pequeno ou grande. Nós é que dimensionamos. Quando ela quer uma coisa, quer no seu ser absoluto, pois ela não tem noção de grandeza, nem de responsabilidade. Isso se chama educação: passar esses valores, essas noções, para que criança crie dentro de si aquela condição de saber “isso eu posso fazer, isso eu não devo”.

RS: O que representa a falta de limites para o futuro da criança?
IT: Estraga a vida porque ela não vai conseguir acompanhar tudo o que precisa de limites. Por exemplo: na escola, ela precisa de limites. Quem não tem limites não se adequa à escola. Tem horários, lição de casa, provas. Ela vai querer estudar numa hora que é recreio e na aula vai querer ter recreio? Não tem condições. Na vida é assim! E ela acaba encontrando um jeito porque a criança precisa encontrar o ritmo dela. Isto acaba sendo deixar tudo para última hora porque, na última hora, todo mundo ajuda. E no social, ela vai sempre achar que existe uma lei que vai ajudar os que faltam porque aqueles que cumpriram se ferraram e o que bancou o espertinho e deixou por último, saiu beneficiado. Por isso que essa cultura brasileira interfere na família. Por isso temos que mexer da família para fora. Esses comportamentos que a gente condena são comportamentos que são reforçados fora de casa porque é em casa que aprendemos. Por isso faço tanta questão de dizer que é em casa que temos que educar as crianças.

RS: O amor em excesso pode estragar uma criança?
IT: Não. Existem pais que amam demais os próprios filhos, porém o que estraga são os comportamentos inadequados e não o excesso de amor. Daí mistura os dois juntos e fala que excesso de amor atrapalha. Não é não. Amor precisa existir. As crianças precisam, no início da vida, serem mais importantes que os próprios pais para os pais. Eles mesmos têm que colocar os filhos em primeiro lugar. Se o bebezinho está chorando, tem que ser atendido rápido. Não tem que deixar chorar meia hora - a não ser que seja por outro motivo que posso até explicar depois. Fora isso, o choro de recém nascido é desesperador para a própria criança porque ela não tem noção de tempo e sofre horrores. Parece que mundo vai acabar...  Existe confusão entre a sensação de amor e o comportamento que os pais tomam. O que atrapalha não é o excesso de amor, elas precisam mesmo de amor, mais do que os adultos. Então, fora desse período, precisam aprender que amor tem que ser dividido entre as pessoas e não mais pra um do que pra outro, tem que dividir. O comportamento inadequado é quando nós usamos “em nome do amor” para fazer algo para o filho. No fundo, estamos aleijando a capacidade dele. Esse tipo de excesso faz mal. Em vez de desenvolver, a aleijamos na área que eles têm condições. Por peninha, muitas vezes, porque não se tolera que filho não faça. Se os pais não fizerem, o filho aprende. Não é excesso de amor que deseduca. O que deseduca são os excessos que os pais cometem quando fazem pelo filho o que ele é capaz de fazer. Daí os pais começam a se justificar, a colocar culpa em outra coisa e dizem que ele (o filho) já nasceu assim. Ninguém nasce assim. Nós é que educamos. Todos vão se corrigir quando tomarem consciência do quanto podem mudar. Por que nós ensinamos a nossos filhos que eles estejam sempre certos e os outros errados??? O filho bate com a cabeça na mesa e a mãe diz: “mesa feia!” e bate na mesa. O que a mãe está dizendo é que a mesa está errada e que ela se colocou no caminho da criança que estava inocentemente correndo pelo mundo? Não existe isso. Deve-se dizer: “então filho, tome mais cuidado, e agora chora porque dói mesmo”. Pronto e acabou. Ele nunca mais vai bater a cabeça na mesa. Senão, o colega que é ruim, a babá que não presta, a empregada que é não sei o quê, a escola, o patrão que não serve...

RS: Um filho é diferente do outro?
IT: Graças a Deus são diferentes. Quando o mais velho nasce, todo mundo está olhando para ele. Quando o segundo nasce, tem um dedo enfiando no olho dele. Por mais que pais queiram, nunca os filhos serão iguais. A parceria é desigual. O mais velho manda no mais novo e mais novo dá este poder. O mais velho tem idéias. Se o mais velho sabe fazer ele faz, se o mais novo não sabe, não vai fazer. Erram os pais quando, por exemplo, já na adolescência, o mais velho com 13 quer sair e o menor com 11 não tem com quem ficar. Aí a mãe fala “só sai se levar o menor”. Estraga os dois! Porque o de 11 ainda está na confusão, o de 13 com malícia. O de 11 funciona como o “bobo” da turma e vai levar porrada e o de 13 vai “pagar mico” . O mais velho tem que frenquentar a tuma dele e o menor a dele - que vai se divertir com outros assuntos. O grande segredo é tratar os filhos de jeito diferente. Na vida, a gente aprende com as diferenças, veja este exemplo: faz de conta que eu tenho um cachorro. Eu o agrado e ele olha pra mim e faz tudo pra mim como se eu fosse um rei. Daí eu tenho um gato, também agrado, faço tudo e o gato olha pra mim e diz “eu devo ser o rei”. Então, minha atitude depende da recepção que outro tem. Se um me maltrata porque eu fiz o bem, eu tenho que corrigir? Então, não é como os pais gostariam que fosse: falam uma coisa e querem que todos os filhos respondam igual. Isso não acontece...

RS: É correto premiar o filho quando ele faz algo certo?
IT: O filho merece tem, não merece não tem. Não importa. Cumpriu a tarefa? Tem. Não cumpriu? Não tem. Agora, tarefa não se premia não! Tarefa é obrigação. Porque se a gente premia a tarefa, daqui a pouco ele não faz nada porque não ganha nada... Você pede, ele não faz, e ainda diz “não ganho pra isso”.

RS: Castigo resolve?
IT: Não. Se castigo resolvesse todos os filhos seriam maravilhosos porque eu nunca vi uma criança que não tenha sido castigada. O que educa é corrigir o erro na base da consequência. Todo mundo fala: “errar é humano” ou “errando é que se aprende”. Isso é mentira. É corrigindo o erro que a gente aprende. Se não aprender, tem que aplicar consequências. Mostrar o que ele provocou por não ter feito algo. Então vai corrigir pra não fazer outra vez. Temos uma coisa que odiamos: corrupção, desvio de verbas... coisas que horrorizam, mas onde isso começou? Dentro de casa! Quando o filho de 6 anos pega dinheiro pra comprar lanche e vai lá e compra figurinha... Chega em casa e os pais ainda ajudam a colar no álbum! O que aconteceu? Os pais endossaram o desvio de verbas! Ele usou o que não podia. O dinheiro era para o lanche e não pra ele gastar com figurinha...

RS: O que pais devem fazer nessa hora?
IT: Devem dizer: “olha, você errou filho e você vai, durante uma semana, levar lanche de casa. Na próxima semana, a gente tenta outra vez. Se você acertar, aí vai ganhar dinheiro pro lanche, se outra vez gastar com o que não deve, vai ficar mais uma semana levando lanche de casa e ponto”. Ele aprende. Porque, caso contrário, depois sai de carro para ir até a padaria e dá volta pela cidade. Abusa do que não é dele. E quem ensinou??? Não adianta só o pai falar. Tem que ensinar. Filho faz o que aprendeu. E como aprendeu? Vendo!!! A transgressão é fácil. O “jeitinho” que se conseguem as coisas, a criança vê. A criança faz o que vê. Se o pai vai ultrapassar alguém no trânsito, ofende e xinga, pode estar certo de que a criança ali atrás já está com ódio do outro. É isso que ele está ensinando. Daí não adianta dizer que não pode xingar... Acha que por falar corrigiu o erro? Ele que não fale palavrão, ele que mostre o bom exemplo!

RS: Gritar resolve?
IT: Se gritar resolvesse, crianças seriam ótimas. Não tem mãe que não grite e nada irrita mais um filho do que uma mãe gritona! O pai é um trovão, filho não aguenta! Fale só uma vez. Se entendeu, entendeu. Se não entendeu, vai sofrer as consequências de não ter entendido para aprender a entender. Por exemplo, vou chamar você pra jantar e quero que você desça. Se não vier, vou fechar tudo e quando você quiser você vem, esquenta sua comida e deixa a comida em ordem, como encontrou. Caso contrário, não vai dormir. Aí ele (o filho) vem depois pra testar... Daí a mãe acaba fazendo miojo! Pra que fazer miojo???? Ele que se vire, ou então vai dormir sem comer. Se ele comeu, deixou bagunça na cozinha e foi dormir acorde ele com uma gotinha de água na testa e diga que só vai dormir depois que arrumar a bagunça! E deixe sem dormir uma noite. Isso não é castigo, é consequência. Se ele arrumar, pode dormir. Se não arrumar, não pode. Castigo é quando a gente dá uma surra que não tem nada a ver com arrumar ou não a cozinha.

RS: Tem que ter regras?
IT: Sim. Vai ter hora pra comer e se não veio fica sem comer. Ninguém morre por isso. O que eu acho é que isso não é excesso de amor, é moleza de pai e mãe. Seja firme uma vez e acabou. Ninguém gosta de dormir com fome!

RS: Quais são seus conselhos para prevenir o uso de drogas?
IT: A adolescência é um segundo parto. É nascer da família de criança para dar passos sozinho. Dentro da família, existe a ordem dos pais, ele recebe um sobrenome. Na adolescência, quer o nome dele, o apelido, vai atrás de identidade própria. E neste caminho, faz coisas boas e ruins. O acompanhamento dos pais vai selecionar o que é bom e o que não é bom. O que ele faz na rua, traz pra casa. Um bom exemplo é comparar com o piolho. Por melhor lugar que filho frequente, ele pode voltar com piolho. E não é porque pegou num bom lugar que vamos aceitar ter piolho em casa. Piolho significa um comportamento que eu não aceito e eu combato em casa! Se chega ele diferente e eu fico quieto, eu estou autorizando que ele traga para casa coisas erradas. Antigamente, achava-se que quem usava drogas tinha problemas. Hoje não é assim. O adolescente não tem problema, tem é curiosidade. Experimenta a droga. E a droga se experimentada, já altera a química na primeira experimentação. Você pode querer fazer outra vez se for gostoso porque cérebro está acostumado a repetir o que é gostoso. Então tem pessoas que tem que saber que droga é gostosa, mas não é para experimentar nem pra usar! Mas aí ele experimenta e diz “a vida é minha”. A vida não é dele não! Ele ainda está na fase que depende dos pais! Os pais assinam coisas. Se vier com este comportamento, os pais têm que combater. Pais sendo frouxos, vão piorar a situação. Se a gente não sabe o que fazer, então aprende uma coisa: se não sabe, vamos estudar para ver o que é! Temos que ter a posição de aprender sempre. Pais têm obrigação de, se não souber, partir para saber.

RS: Como combater as drogas?
IT: Basta não concordar, não endossar e não permitir. Não se usa drogas, assim como não se mata. Se você usar, vamos tomar medidas. Primeiro, vamos cortar suas saídas. Se ainda assim continuar, vamos cortar outras coisas. Aprender com a conseqüência desde pequeno. Você (filho) está decidindo que não pode sair porque abusou da sua liberdade. Só que tem que manter. Não pode abrir brecha. Não vai sair e ponto. Ou se estabelece limites fundamentais ou este país não vai mudar nunca!

RS: Tem pai que diz que vai deixar experimentar em casa, até álcool...
IT: É, dependendo da dose... quando altera o corpo, aí faz mal. A pessoa que bebeu uma vez... bebida é depressiva, deprime o controlador das vontades. A pessoa não consegue controlar a vontade de beber e passa do ponto. Tem pessoas que não podem beber porque passam do ponto. As que passam do ponto não podem beber. Temos que aprender a beber e tem que ser pouco. Não dá pra comparar bebida com droga. Mas o uso inadequado ou exagerado da bebida é droga sim. Quem bebe e dirige provoca problemas: se não morrer vai matar! Quanto mais beber, mais chance de acontecer tragédia. Pode ser fatal. As pessoas têm que se prevenir. Há 27 anos fui ao Japão com meus filhos e lá percebi que à noite tinha os japoneses que ficavam na cidade trabalhando. Eles saíam para beber e sempre tinha um bêbado e, o outro, quietinho esperando. Era um trato. No dia seguinte, era o outro que podia beber. Trouxe essa idéia para o Brasil: um não pode beber - é o que vai dirigir e que vai tomar conta dos que bebem! Houve época que morriam adolescentes como formigas nas estradas...

RS: Como evitar “más companhias”?
IT: Más companhias é como a história da mesa. O filho faz parte do grupo, é o “comportamento piolho”. Se eu não aceito, não permito, não entra em casa. Sair com essa turma? Não vai sair!!! Tem que ser desde o começo. Para os pais terem autoridade quando falam. É preciso nunca ceder quando uma decisão tiver sido tomada.

RS: É preciso estar sempre alerta?
IT: Sim. Basta acompanhar. O maior crime é dar celular pro filho ir para balada e daí filho não atende o telefone... Os pais ficam preocupados. Daí ele aparece de madrugada e o pai diz: “ai meu filho, ainda bem que você está vivo”. Que nada!!! Ele merecia uma “porrada”! Como, vai judiar do pai por não atender o telefone?? Diga: “você não vai mais sair porque vai ficar sem telefone. Vai ficar aí porque não é justo o que fez com a gente: não nos atendeu”. E não deixa sair uma semana. Como a idéia não é castigar, mas que ele aprenda, então: “Você quer sair? Vai sair, mas com uma condição: vai sair sem celular e vai ligar pra casa de uma em uma hora. Aí pode sair.” Porque em uma hora, qualquer droga que se use, você percebe por telefone. Por isso, os pais têm que estar atualizados. É mais importante buscar o filho na festa do que levar. Buscar dá trabalho, pegar o filho de fogo, é complicado. São as comodidades dos pais que facilitam vida do filho para que usem drogas. Há 18 anos escrevo livros para levar essas dicas aos pais. Um pai pode mudar o rumo dos filhos. Quem tem que orientar os filhos são os pais. A vida toda é um parto. São vários nascimentos ao longo da vida. Quando um parto vai bem, os outros também vão bem. O verdadeiro parto não é biológico: é o da independência. Começa quando se aprende a andar. Nesta fase, vai cair mesmo. Um parto bem feito é reconhecimento da capacidade. Mais tarde, vai ter que enfrentar o mundo sozinho. Pai não pode trazer nada pronto.

RS: Como o casal deve agir com os filhos?
IT: Acho que a mãe deveria trabalhar um pouco mais este lado porque ela não facilita. Ela está lá, cuidando dos filhos e diz pro marido “bem, me ajuda????” O quê??? Que ajuda nada!!!! Ele tem a parte dele na educação dos filhos. Isso não é ajuda para mulher. É obrigação de pai. Mas tem que ensinar o homem a fazer porque cérebro masculino é diferente do feminino. Com 3 filhos o pai fica louco, manda todo mundo ficar quieto, não consegue acompanhar. Homem é assim. Já a mulher consegue olhar os 3 fazendo coisas diferentes ao mesmo tempo e ainda falar no celular, comandando tudo, prestando atenção em tudo. Então é mesmo diferente. Por isso acho que para o pai é difícil chegar ao mesmo nível que a mulher que é mãe. Ele tem que ser pai, tem que saber ficar sozinho com os filhos pequenos. Mas hoje isso já está mudando. Uma coisa que antes nem se pensava era ver um pai trocar fralda. 50 anos atrás, pai só conversava com os filhos quando eles já falavam. Antigamente então, só quando crescia. Agora o pai já entra na sala de parto, corta cordão umbilical... Olha que evolução!!!!
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Agora queremos saber a sua opinião! Qual a melhor maneira de colocar limites nos filhos? Existe receita?  Você concorda com a opinião do entrevistado? Aguardamos os seus comentários!

E para quem ainda não viu o Papo de Mãe sobre Limites, amanhã (terça-feira) ainda tem mais uma reprise às 17h30. Não perca!!!