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Na TV Brasil

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Alienação Parental: ato de imaturidade, vingança e desamor - Por Solange Mello*



Mariana Kotscho e Solange Mello no Programa  Papo de Mãe



O que é Alienação Parental?
É o ato deliberado ou não de, após uma separação, um dos cônjuges jogar os filhos contra o outro, denegrindo sua imagem e o desvalorizando em vários aspectos. Em geral, isso acontece quando essa pessoa não conseguiu elaborar o luto da separação e desencadeia um processo de destruição, desmoralização e descrédito do ex cônjuge. Esse termo foi proposto em 1985 pelo Dr. Richard Gardner para classificar os casos em que um dos cônjuges tem como meta principal romper definitivamente os laços afetivos dos filhos com o cônjuge alienado.

Como essa alienação acontece?
De diversas formas. Citemos algumas: interferindo nas visitas (com pretextos de que a criança esta dormindo, doente, com visitas em casa, vai sair porque tem compromissos agendados ou simplesmente porque não quer sair com o outro), mudança repentina e sem fundamento de cidade, atacando a moral e a imagem do outro, obrigando o filho a escolher entre um ou outro, fazendo-o tomar uma atitude de conflito, sugerindo que o outro progenitor é alguém perigoso, criticando a competência profissional e financeira do outro, emitindo falsas acusações de abuso sexual, uso de drogas e álcool, omitindo deliberadamente informações sobre assuntos relevantes a respeito dos filhos para o ex cônjuge, dentre outros .

Perfil psicológico de quem age assim:
Geralmente, quem assim age são pessoas que em sua história familiar foram privadas da possibilidade de reconhecerem a existência do outro como sujeito e com isso não aprenderam a respeitá-lo como possuidor de um espaço psíquico e emocional. São crianças grandes que ao se verem privadas de seus "brinquedos", fazem birra e jogam sujo, tentando alcançar, a qualquer preço, aquilo que querem, sem se importar com as consequências.

Como se sentem os filhos nesse contexto?
A ambiguidade de sentimentos está sempre presente nesses filhos. De um lado a raiva e de outro o amor. Isso por ambos os pais. O resultado não poderia ser outro senão a culpa de forma devastadora. Culpa por não conseguir expressar seus sentimentos de forma natural e por não conseguir dizer não muitas vezes em que sente essa vontade. Desamparo é algo que se dá como consequência desse turbilhão de sentimentos. Desamparo e profunda dor.
Consequências psicológicas na vida desses filhos:
Baixa auto estima , dificuldade em dizer não pelo medo de perder o objeto do seu amor, dificuldade em estabelecer relações afetivas estáveis, utilização da mentira como algo necessário para se conseguir sempre o que se quer , tendência à depressão e ao alcoolismo como formas de se livrar de uma culpa que os perseguem, distúrbios psicológicos como pânico, depressão e ansiedade.

Causas da Alienação Parental:
- A solidão a que se vê renegado um dos cônjuges após a separação, em especial se não tem familiares próximos, não querendo assim, abrir mão da presença dos filhos em tempo integral.
- Falta de confiança ( fundada ou infundada ) no ex cônjuge para cuidar dos filhos.
- Desejo de ter o amor dos filhos só para si.
- Ódio nutrido pelo ex cônjuge.
- Julgamento de que o ex cônjuge seja indigno do amor dos filhos.
- Não querer que quem venha a se relacionar com o ex cônjuge compartilhe da companhia e receba afeto dos filhos do ex casal.

Graus da Alienação Parental:
Leve : quando as dificuldades estão apenas se iniciando de forma sorrateira.
Moderada : quando os artifícios de exclusão de um dos genitores começam a se intensificar.
Grave : quando os filhos passam a ter “pânico” pelo genitor alienado. Nesses casos, há a necessidade de se contar com o beneplácito do Poder Judiciário. E em alguns casos, os juízes chegam a cancelar o regime de visitas, que é o que basta para que a Alienação Parental se instale em caráter definitivo.

O que é Síndrome de Alienação Parental?
É a sequela psicológica que sente a pessoa mais prejudicada: o filho deste casal. São as dores, as angústias e o tormento vividos por quem se encontra no meio dessa verdadeira guerra de egos feridos e repletos de ressentimentos. Em geral, crianças mais velhas opõem mais resistência à pressão do genitor alienante, pois possuem mais independência e vontade própria.

Quando surgiu a Alienação Parental?
Antigamente, os papéis na sociedade e na família eram muito bem definidos. A mulher era a única responsável pela educação dos filhos e ao pai cabia prover financeiramente a família. Isto acontecia até mesmo nos casais separados. Os tempos , no entanto, mudaram e com eles mudaram também os papéis. A partir do momento em que o pai passou a querer participar mais da educação dos filhos e, em especial, com o surgimento  guarda compartilhada, numa separação, a mulher passou a se sentir ameaçada no que diz respeito ao amor dos filhos, que antes, ela via como algo só seu. E aí começaram os problemas.

Reflexões finais:
Alienação Parental  por ser um assunto que atinge não só ao ex casal como também toda a família passou a ser um problema social, pois, silenciosamente, traz sérias consequências, até mesmo para as futuras gerações. Ela fere direta e covardemente o direito fundamental da criança da convivência familiar saudável, mesmo sendo ela filha de pais separados. Até porque não existe “ex pai”, nem existe “ex mãe”.

Tal alienação só ocorre porque, na verdade, para o genitor alienante, o casamento não acabou. Para esse, a relação continua mesmo que de forma patológica, pois ele se encontra preso no passado. Engana-se redondamente quem acredita que o ódio seja o oposto do amor. A energia é a mesma, só que em sentidos opostos. Acabou o amor e no lugar dele, nasceu o rancor .

Filho, se querendo ou não, é um sinal evidente de que houve uma relação entre duas pessoas (por mais que tal lembrança traga dor e arrependimento). E filho precisa e merece amar e conviver com os dois pais, sem precisar se dividir entre eles . Exigir exclusividade do amor dos filhos é retalhar o emocional de quem nos é mais importante na vida .

Deixar o passado no passado e seguir em frente, recolhendo experiências do que vivemos é certamente a forma mais inteligente e saudável de se viver. Deixemos também que nossos filhos tenham o direito de pensar com suas próprias cabeças e façam eles mesmos as suas próprias escolhas. Isso sim é respeitá-los em suas individualidades e demonstrarmos o quanto amamos. Até porque, ninguém, seja pai ou mãe, perde o lugar que lhe é devido no coração de um filho que se sente verdadeiramente respeitado e amado.

*Solange Mello é  Psicóloga, Psicanalista e Psicoterapeuta de adultos, casais e famílias em São Paulo/SP. Já participou como especialista convidada do programa Papo de Mãe. Contato:  gabinetedepsicologia@hotmail.com

10 comentários:

Sofia disse...

Muito interessante. Gostaria de saber dos casos em que não há separação do casal, mas um membro da família que joga os filhos contra os próprios pais, como um avô, uma tia, um amigo da família. Seria um caso de alienação parental?

Cris disse...

Convivo com essa situação há bastante tempo, inclusive já escrevi muito sobre isso no meu blog... é muito triste assistir uma mãe separando o filho do pai, como é o caso do meu marido e seu filho. Mais triste é quão difícil é provar isso na justiça - meu marido se sente desamparado - e não ter como lutar contra essa situação, pois ele bem que tentou. Nos resta torcer muito para que as consequências para o menino não sejam tão graves e que apesar das circunstâncias ele cresça um adulto saudável e do bem.
Excelente post e programa, muito ainda tem que ser falado sobre isso para chamar a atenção das pessoas.

Arney disse...

E isso acontece quase que 90% com os pais homens! A propria lei 5478 CRIA a Alienação Parental e o sexismo machista da Justiça, da imprensa e das mães afasta totalmente os pais de seus filhos e exige que sejam meros pagadores de dinheiro na politica do "que se dane" (muitas vezes que não tem condições de dar) SEM SEREM PAIS!!! Não há absolutamente NENHUM INCENTIVO ou motivo para os pais quererem ser pais nesse pais !!

Anônimo disse...

Eu passo por esse problema de alienação parental... Fui acusado até de abuso sexual contra a minha filha...tem 7 meses que não vejo meus filhos... nem mesmo sei onde estudam, pois a mãe mudou eles de escola...a Visitação está suspensa para estudos... só que o Judiciário é lento e indiretamente também acaba sendo culpado por esso processo tão doloroso que é a alienação parental.
é muito triste isso.. ter as pessoas mais importantes pra minha vida afastadas de mim, de forma cruel e covarde... por isso muitos pais deixam os filhos pra lá e acabam formando outra familia...
Mas eu nunca vou desistir dos meus filhos... os os amo mais que tudo nesa vida... e sei que eles tb me amam... Não vou deixar que nada me derrube... tirarei forças de auqluer lugar. Lutarei, sempre com dignidade, contra a Justiça(ou seria injustiça?) e contra a alienadora...

Abraços... Glaucio Vasconcelos

Anônimo disse...

O que mais me entristece nisso tudo. É que passo por uma situação, onde madrasta declara que não gosta quando o enteado vai nos finais de semana, só DEUS sabe o que ele passa quando está na casa dela? E a mesma ainda não enxerga nada disso. Prefere se passar por a MADRASTA PERFEITA a PERSEGUIDA. Só DEUS mesmo viu?

Renata Franca disse...

Bom dia,

Li a matéria no site PAILEGAL http://www.pailegal.net/guarda-compartilhada/204 e fiquei do jeito que estou relatando.


Leio estas matérias falando que nós mães e que agimos desta forma.Quando acontece ao contrário? Quando o pai age de má fé e por uma situação que naquele momento não está no seu controle ele ganha a guarda do filho mentindo e jogando as crianças contra. Isso está acontecendo comigo e estou na justiça para reaver a guarda dos meus filhos. Eu sempre fui mãe presente,mas por problemas de família com meu pai doente e fragilizada ele pegou as crianças nas férias com tudo armado com a advogada dele e conseguiu a guarda mentindo me chamando de mãe ausente,devido a este fato até meu emprego perdi. Agora ele obriga as crianças a chamarem a atual companheira dele de mãe sendo que eu sou a mãe que sempre cuidou,e que juíza é esta que não verifica se realmente sou tudo isso que ele relatou? Sendo que eu pedi a separação por não ama-lo mais e nunca o pertubei exigindo nada e ele por sua vez nunca se conformou e fiz a burrice de falar que a única coisa que me deixaria louca e não ter meus filhos comigo. Por ele ganhar bem ele compra as crianças com brinquedos e coisas que neste momento não tenho recursos para oeferecer,mas tem um lar cheio de amor e respeito e com avós e amigos que os amam. Como poderia não amar meus filhos se fui tão longe e lutei tanto para te-los sendo que eles não são filhos biológicos e sim do coração.

Renata Franca disse...

E quando o pai ganha a guardo do filho utilizado este meio? Isso é justo? Eu mandei um email para voces relatando todo o meu sofrimento,o que é justo então a Juiza dar a guarda para o pai que inventou injurias por guardar rancor de mim? A gente se separa do marido ou esposa, mas nunca nos separamos dos filhos. O que justo ou melhor cade a justiça.

Renata Franca disse...

A Justiça dos homens realmente é cega, quando uma mãe perde a guarda dos filhos porque o pai faz exatamente isso por vingança? ALIENAÇÃO PARENTAL.

Telma Santos disse...

Pessoal, o assunto realmente é muito interessante.
Estamos precisando urgente de uma ajuda, uma orientação sobre o caso que estamos passando. Minha cunhada de 33 anos teve problemas sérios de saúde e por conta de um tumor na cabeça sofreu sequelas e perdeu totalmente a visão. O marido foi embora de casa e levou o filho deles de 5 anos. A minha pergunta é será que uma mãe deficiente realmente se torna totalmente incapaz de conviver e cuidar do seu filho? por favor, se alguém puder nos ajudar, segue contato.
ssantos.telma@hotmail.com

Anônimo disse...

Vejo meu filho sofrendo, pois ñ tem a guarda do filho e a mãe tem feito tudo para impedir q ele veja-o há meses, até agressão ele já sofreu de 6 pessoas lá e ameaças de vida(fizemos B.O. disso), p/ ñ ir buscar o filho. Agora soubemos q ela mudou para o interior de S.P. s/ comunicar ao Pai. Pelo q ouvimos de Advogados, ele nada pode fazer a ñ ser se virar e arrumar dinheiro para visitar o filho noutra cidade, algo q tornará impossível pelo gasto c/ passagens,q calculando ficará em R$ 600,00 a cada 15 dias(para quem ganha pouco mais de mil e paga desse a pensão do menino). Com tristeza(meu filho, eu(vó), e a tia aqui) vemos q as leis favorecem muito as mães... Bibi crescerá afastado de nossas brincadeiras que ele tanto curtia...ah! ele adorava jogar futebol comigo e as palhaçadas que eu fazia ao fazer gol rsrsrss...brincar com o Pai, passear...e nós ficaremos s/ nosso pequenino por perto...sem vê-lo crescer...algo de corroer nossos corações!!!