Aos domingos, 15h30
Reprise aos sábados, 11 horas
Na TV Brasil

quarta-feira, 30 de junho de 2010

S.O.S. PAPO DE MÃE

QUEM PERGUNTA: Ana Carolina S. P. Moreira, mãe.
"Olá, meu nome é Ana Carolina, tenho 30 anos e sou mãe da Maria Luiza que tem 21 dias. Desde o dia em que ela saiu da maternidade, ela tem cólicas. Já tentei de tudo, já li várias coisas, mas nada tem ajudado. Já mudei minha alimentação e também não ajudou. Muitas pessoas me falam que a culpa é do que eu estou comendo e que isso tem passado para ela pelo leite. Às vezes dá até medo de amamentar... Enfim, estou desesperada. Ela sofre muito e eu também. Fico muito triste e desanimada... Gostaria de propor um programa que fale sobre cólica porque as dúvidas são muitas e o os pais ficam sem saber o que fazer. Beijos. Ana Carolina."

QUEM RESPONDE: Dra. Bárbara B. Matera A. Sampaio, pediatra e neonatologista do Hospital M Boi Mirim/SP, formada pela Faculdade de Medicina da Santa Casa/SP e pós-graduada pela FMUSP.
"Ana, antes de responder sua pergunta, você precisa saber que o choro em recém-nascidos nem sempre significa sofrimento. É a maneira que o bebê expressa se está com frio, com calor, com fome, se quer colo, se quer mamar... Na verdade, é muito difícil ter cólica antes do primeiro mês de vida.
A cólica geralmente tem um choro pós mamadas, porque estimula o transito intestinal. Ela vai e volta, não é continua. É preciso ver também se o bebê está com refluxo (quando volta o leite) porque junto com o leite volta também o ácido do estômago e isto provoca muita dor. O refluxo pode ser fisiológico (normal) até os 3 meses ou pode precisar de tratamento.
Geralmente, os 3 meses são um divisor de águas. Você vai perceber a diferença porque a cólica melhora, o refluxo melhora e o bebê fica bem mais calmo...
Para a cólica pode ser feita massagem na barriga no sentido horário; deixar o bebê de barriga para cima e dobrar as pernas, comprimindo os joelhos na barriga; e ainda funchicória (produto natural vendido na farmácia) que pode ser usado na chupeta. Raramente uso outras medicações nos meus pacientes.
Quanto à sua alimentação, os alimentos que devem ser evitados são: pimenta, repolho, cafeína, chocolate em excesso e derivados de leite em excesso.
E como eu disse antes, o problema pode não ser cólica. Por isto, você pode tentar as seguintes maneiras de acalmar o seu bebê:
• TAPINHAS RITMADOS : levinhos, nas costas ou nádegas
• SOM REPETIDO: tic tac do relógio, água corrente, batidas do coração, música calma.
• MASSAGEM / SHANTALA : há vários livros sobre este assunto (Arte e Pratica de Massagem em bebês de Peter Walker/ Massagem do bebê de Peter Walker/ e Shantala- massagem, saúde e carinho para seu bebê de Píer Campadello, dentre outros.)
• ACONCHEGO: acomode o rosto do bebê entre a sua bochecha e seu ombro aninhando-o, balance de um lado para o outro, cante também.
• CONTATO CORPORAL: coloque seu bebê com o peito nu sobre sua pele cobrindo-o.
• MOVIMENTO RITMADO.
• DISTRAIR: chame a atenção com brinquedos, luzes.
• ENROLAR: enrole o bebê em um pano de algodão ou flanela, deixando o com seus braços para dentro ou fora (experimente ambos). Quando quiser sair ele se movimentará e se desenrolará. 
E preste atenção nas razões para o choro do seu bebê:
• Fome: após 1h 30 ou 2 hs da mamada seu bebê pode estar com fome.
• Fralda molhada ou suja.
• Sono: alguns bebês choram antes de dormir. Sinais de sono: inquietação, pálpebras caídas e coceira nos olhos.
• Solidão: alguns sentem a falta do contato físico. Acalanto, enrolá-lo no cueiro ou passeio no colo podem acalmá-lo.
• Calor ou Frio: sinta as costas e a barriga do bebê, o vista como você está se vestindo e com uma camada a mais no frio.
• Sem roupa: muitos não gostam de ficar nus. Enquanto estiver trocando, cubra-o com um pano leve (barriga e peito).
• Hora errada: às vezes não é a melhor hora para mexer com ele; dar banho quando pode estar com fome, tirá-lo do peito para arrotar; brincar.
• Muito estímulo: barulho alto, movimentos bruscos, pessoas pegando/ mexendo com ele. Leve-o para local sereno com pouca luz e procure acalmá-lo.
• Sobressalto: alguns recém nascidos fazem movimentos abruptos quando caindo no sono. Enrolar-lhe pode evitar o choro.
• Dor: etiqueta pinicando ou algum outro desconforto.
• Cólica: alguns bebês choram por longo tempo ou em horários previsíveis. Às vezes você consegue confortá-los, e às vezes são necessárias medicações.
• Doença: febre, infecções. Se você não consegue acalmá-lo com seus métodos usuais, ligue para seu pediatra.
MAS ATENÇÃO: estas são dicas e NÃO REGRAS!!! PROCURE CONHECER SEU BEBÊ! Ninguém melhor do que você para identificar as causas do choro..."

Um comentário:

Gabriela disse...

Ana Carolina,
Minha filha era uma criança muito calma, mas um dia tive uma experiência com ela que muito me serviu para seguir o conselho da Dra. Bárbara, procurar conhecê-la. Neste dia ela começou a chor muito, sem parar e todas as mães que estão sempre a nossa volta começaram a dar palpites, mas o palpite unânime foi "cólica". Pois bem, depois de quase uma hora de choro eu resolvi ignorar os palpites e experimentar tudo que achava que poderia ser. Primeiro pensei em aconchegá-la, botei no colo e cantei e nada. Depois pensei em segurança, enrolei num cureiro e nada. Então resolvi agasalhar melhor e nada.
Até que resolvi tirar toda sua roupa, inclusive a fralda que estava seca e foi quando o choro parou. Tinha uma ponta da fralda que estava assando ela e quando eu soltei a fralda e o incômodo passou, o choro cessou.
Bom, deste dia em diante eu passei a fazer esse tipo de procedimento com ela, como o recem nascido só se comunica através do choro, quando ela começava a chorar aparentemente sem motivos eu pensa em um motivo e tentava uma providência e quando não resolvia eu ligava pra pediatra.
Bjs e Boa Sorte!