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Na TV Brasil

sábado, 30 de janeiro de 2010

Maternidade e carreira: é possível conciliar?

Dicas para evitar frustrações na hora de tomar essa decisão delicada
Por Paloma Lopes
Ficar em casa exclusivamente cuidando dos filhos e dos afazeres domésticos é coisa do passado. Hoje, após as grandes lutas dos dois últimos séculos, as mulheres estão em pé de igualdade com o sexo oposto quando o assunto é mercado de trabalho. É certo que ainda há muito o que avançar, porém a mulher contemporânea já não se dedica mais somente à prole, ao marido e à casa. Além de todas essas funções, ela busca se realizar profissionalmente. Mas como o papel de mãe exige dedicação total e ininterrupta, como conciliar tantas obrigações? Como continuar investindo na carreira após a chegada dos herdeiros?
Quatro meses de licença-maternidade é pouco, disso nenhuma mãe discorda. Por isso, algumas mulheres decidem deixar o mercado de trabalho durante o primeiro ano de vida de seus filhos. A questão é que retomar as atividades depois de um longo período pode ser complicado, visto que a competitividade para conquistar e se manter em um bom emprego é grande. Além disso, como criar uma criança custa muito dinheiro, nem sempre a renda do parceiro é suficiente para cobrir todas as despesas da família. Não é por acaso que tantos casais optam por deixar o sonho de ter filhos para depois, quando alcançarem uma maior estabilidade financeira.
De acordo com Marilene Proença, psicóloga e presidente do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo (CRP-SP), quando uma mulher decide abrir mão de sua carreira profissional para se dedicar exclusivamente à maternidade, deve ter em mente que essa é sua escolha pessoal, mantendo-se consciente de que não receberá recompensas futuras do filho ou do próprio companheiro. É preciso ter muita clareza ao fazer essa opção de vida, para depois não cair na armadilha de cobrar atitudes e agradecimentos posteriores que podem desgastar as relações familiares. Senão começa aquele discurso de eu fiz tudo por você, olha o que recebo em troca, alerta.
Segundo a psicóloga, a mulher não deve se sentir culpada caso decida por retomar a rotina profissional após o término da licença-maternidade. Não faz sentido algum achar que não será boa mãe se buscar a realização profissional. As duas funções podem muito bem coexistir. É claro que uma mulher que trabalha 12 horas por dia antes de engravidar e está sempre viajando a negócios, depois de ter um filho, precisará fazer uma revisão de sua rotina, visto que tanta ausência também não seria saudável para a criança. Mas nem por isso ela precisa abdicar de sua carreira, diz.
Marilene também destaca que é de fundamental importância que a mulher que trabalha fora dedique um tempo especial ao filho quando estiver em casa. A mãe deve reservar um tempo para estar exclusivamente com a criança, brincando, interagindo, entrando em seu mundo, orienta. Para ela, a participação do pai também deve ser ativa, inclusive nos cuidados do dia-a-dia, como dar banho, trocar fralda e acordar de madrugada. A decisão de ter filhos é do casal, por isso homem e mulher devem dividir as tarefas com a criança. A mulher é que se coloca, muitas vezes, nessa posição de abdicar de tudo pela maternidade. Imagina que o homem vai ficar em casa durante um ano para cuidar do bebê! Esse é um comportamento que se espera que venha somente da mulher, mas que precisa ser revisto, avalia.
A fonoaudióloga Juliana Portas, de 26 anos, está casada há dois anos e meio com o médico-cirurgião Renato Capuzzo, de 36, e desde o princípio, o marido sonha com um filho. Por ele, já teríamos tido um bebê. Mas a questão é que atualmente trabalho cerca de 12 horas por dia, pois além de atender meus pacientes no consultório e também em um hospital, estou concluindo meu mestrado. Ou seja, nesse ritmo fica impossível pensar em engravidar. Sem contar que meu marido é médico, e sequer tem os finais de semana livres, conta.
No entanto, como deve concluir o mestrado nos próximos meses, a fonoaudióloga faz planos de engravidar ainda em 2008. Se fosse considerar só o aspecto financeiro, poderia ter tido filhos antes, já que temos estabilidade. Mas eu também sempre quis me realizar profissionalmente, e mesmo depois da maternidade, quero continuar investindo na minha carreira. A única coisa é que terei que reduzir minha jornada de trabalho, pois também quero ter tempo pra cuidar e curtir o meu filho, planeja.
E você, o que pensa sobre o conflito entre carreira e maternidade? Será que dá para conciliar? Compartilhe conosco a sua experiência!
Um grande beijo,
Equipe Papo de Mãe

Um comentário:

YONE disse...

É isso mesmo, a mulher evoluiu e conquistou novos lugares, mas a dificuldade maior é a conciliação dos papeis de mãe e funcionária. Para mim foi importante dar um tempo no primeiro ano de vida do bebê, com ele mais grandinho fica mais fácil deixá-lo para encarar 8 horasde trabalho. Acho importante pensar em politicas que ajudem a mulher a se dedicar mais aos filhos no primeiro ano de vida. Uma pena que apenas paises desenvolvidos pensem nesse aspecto social.