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Na TV Brasil

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Pais separados - entrevista com Roberta Palermo

Oi, gente!
O assunto desta semana no Papo de Mãe é PAIS SEPARADOS. Sobre este tema, trouxemos, com exclusividade, a íntegra da entrevista feita por nossa repórter, Rosângela Santos, com a psicóloga e terapeuta familiar Roberta Palermo, que tem muita experiência no assunto... Aos 3 anos, os pais dela se separaram e ela ficou com a mãe. Aos 12, foi morar com o pai. Aos 13, ganhou uma madrasta e uma irmã. Mais tarde, casou-se com um homem separado com 2 filhos e teve mais um filho. Chegou a cursar arquitetura, mas com toda essa experiência de vida tornou-se psicóloga e especializou-se em terapia de casais. Há sete anos, fundou uma associação de madrastas – categoria a qual pertence hoje – e é autora dos livros “Madrasta, quando o homem da sua vida já tem filhos” e “100% madrasta - quebrando as barreiras do preconceito”. O site dela é o http://www.robertapalermo.com.br/.  Confiram a entrevista!!!


RS: Filhos de pais separados: dá para ser uma criança bem resolvida?
RP: Dá sim, desde que os pais saibam construir uma relação bacana após a separação. Quando pai e mãe se separam precisam entender que a relação deles acabou, mas vão continuar sendo pai e mãe das crianças. Isso também deve ficar claro para as crianças: o casamento acabou, papai e mamãe não vão mais ficar juntos, mas vocês são as pessoas mais importantes da nossa vida. Nós vamos continuar amando vocês, mas nós não vamos mais continuar morando todos juntos. Isso tem que ficar claro.
RS: E como fica a convivência?
RP: Normalmente, como a guarda fica com a mãe das crianças, o pai se torna mais ausente. Mas isso não significa que ele tem que sumir. É importante que ele tenha os dias de convivência dele com frequência. Normalmente, são finais de semana alternados. Isso é fundamental porque toda separação traz sequelas. As perdas vão acontecer, então é importante que a criança tenha um final de semana com a mãe também. No dia a dia, a criança vai para escola, a mãe para o trabalho, então a mãe precisa do final de semana para se dedicar aos filhos. Aí, no outro fim de semana, as crianças ficam com o pai. E se as férias estiverem garantidas meio a meio, a criança vai ter um crescimento adequado. Ela não vai viver em um ambiente com briga e o pai e a mãe vão se entender para discutir os problemas relacionados a elas numa convivência bacana. O que desgasta as crianças é quando os pais não se entendem, um fala mal do outro, o pai some ou a mãe fica ausente. O problema é quando as mágoas ficam...
RS: E normalmente ficam, né?
RP: É muito difícil para um ex-casal dar conta de separar aquele homem daquele pai, aquela mulher daquela mãe. É sempre traumático... E, às vezes, a mãe ou o pai acham que precisam falar a verdade para criança. Só que a criança não quer escutar ninguém falando mal do pai e da mãe dela. Então, é perda de tempo. Só vai frustrar a criança, chateá-la. Um dia ela vai crescer, ter idade e maturidade para entender o que aconteceu com os pais dela. Quando ela tem 3, 5, 10 anos de idade, ela não tem maturidade... Normalmente, a mágoa é tão grande e é comum a mulher ter menos paciência porque ela tem a guarda, vive aquela angústia, perde a condição financeira. Então, a mãe, às vezes, fica com os gastos maiores porque pensão é sempre muito para quem paga e pouco pra quem recebe... Então, como aquele valor que ela recebe não vai dar pra suprir todos os gastos da criança, ela fica com mágoa e daí  solta “seu pai largou a gente, está fazendo outra família e nós ficamos aqui”. Então, a criança começa a ter mágoa do pai e isso vira alienação.
RS: Quando acontece a alienação parental?
RP: É mais comum a mãe se alienar porque a guarda é normalmente dela. Ela desvalida o pai ou ela some com a criança e fala mal do pai e até mente (ex: diz que o pai não foi buscar a criança...). Há uma perda muito importante nisto. A criança precisa conviver com o pai e com a mãe, senão ela fica com a sensação de abandono porque a criança acredita na mãe. Mas por mais que mãe faça isso, nada justifica o pai desistir da criança. Se a mãe some, o pai tem que entrar na justiça porque, até pouco tempo atrás, o pai era considerado o vilão mesmo.
RS: Como foi a sua experiência?
RP: Eu tive sorte depois da separação dos meus pais. Eu tinha 3 anos. Fiquei com minha mãe em SP e meu pai no interior. Minha mãe nunca atrapalhou nossa convivência. Pelo contrário, recebia meu pai na nossa casa porque era importante eu conviver com ele. Mas eu sempre quis que meus pais voltassem a conviver juntos.Eu rezava à noite e pedia para o papai do céu um presente: que meu pai e minha mãe ficassem juntos. Até meus onze anos nunca deixei de querer... Eu tive uma relação boa com eles. Nunca um falou mal do outro. Eu passava as férias com meu pai, comia super mal, voltava encardida, imunda, mas voltava feliz da vida.
RS: Quais as conseqüências para a criança que vive no meio de brigas antes, durante e depois da separação?
RP: Depende de cada criança. É um mistério. Você pode ter 3 filhos que viveram a mesma situação. Um nunca deu bola, o outro ficou numa boa e o outro nunca aceitou... Sabemos que cada um vai lidar com o problema de maneira diferente. Nos casos mais difíceis, a criança que conviveu num ambiente com brigas  tem um conlito muito grande e pode ter sequelas enormes. Começa na escola, com dificuldade para se relacionar. Ela repete o padrão que vê em casa porque é modelo que ela tem. Ela é reflexo do ambiente em que vive. Então, se ela tem brigas em casa é possível que brigue na escola. Os pais ficam bravos com a criança, mas se ela vê isso em casa, ela vai fazer... Muitos filhos falam “graças a Deus que meus pais se separaram”, porque eles não agüentavam mais ver aquele ambiente com briga. Após a separação, tudo vai depender de como ficou este ex-casal e a questão financeira. O que prejudica a criança é a ausência de um dos pais e a diminuição da questão financeira. Muitas vezes, tem troca de escola ou começam a faltar as coisas que elas estavam acostumadas... Outra questão difícil para elas é o modelo familiar. Mas isso não dá para generalizar porque elas podem construir outros modelos de família. Podem olhar para os problemas da sua família e mudar a sua vida: “nunca vou repetir o que aconteceu com meu pai e minha mãe”.

RS: Você teve uma madrasta e hoje você é madrasta. Essa relação no meio da separação mudou sua vida?
RP: Foi ruim a minha experiência com a minha madrasta porque ela não soube conduzir a relação. Ela tinha ciúmes de mim com meu pai. Ele era grudado comigo. Mas isso acontecia só nas férias e era muito chato. Eu lutava para manter meu espaço com meu pai e ele nunca deixou de fazer as coisas para mim. Mas, por ela, eu tinha perdido muita coisa. Ela tinha atitudes inadequadas. Com minha madrasta aprendi tudo o que eu não deveria fazer para os meus enteados...

RS: Você é "boadrasta"?
RP: Ah, eu sou. Nunca quis prejudicar. Mas não adianta a madrasta chegar cheia das boas intenções e a mãe falar mal da madrasta para a criança, não incluir madrasta no dia a dia. E meu marido nunca teve dó das crianças por causa da separação. Tinha limites, casa organizada. A maior dificuldade da madrasta é quando pai tem dó das crianças e medo da ex-esposa. Quando ele faz tudo o que ela quer, aceita chantagem. Não dá para conviver com pai banana... É importante que os pais saibam que não é normal se separar. Na maioria das vezes, a mãe ou pai fala “ah, hoje todo mundo se separa...” Não é nada disso! É muito cruel com a criança. É injusto... Todo filho quer o pai e a mãe juntos. Aqueles que querem a separação é porque vivem em lares com brigas. Mas no fundo, o desejo deles é apenas que os pais não briguem. A separação não pode ser vista como uma coisa normal porque está muito banalizada. Nem 8, nem 80. Nem aquilo de que “casou tem que ficar para sempre” porque não é bem assim. Todo mundo tem direito a ser feliz. Então, se tentou resgatar a relação e viu que não dá, tem que separar. Agora, tem que saber que isso vai fazer mal para os filhos.
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Para quem não assistiu ao programa desta quinta ainda tem chance de ver as reprises. Vocês já sabem: no domingo (13h30), na segunda (12h30) e na terça (18h30). Vocês não podem perder!!! E continuem votando em nossa enquete para decidir quais serão os programas reapresentados nas férias!!!
Beijos,
Equipe Papo de Mãe

7 comentários:

WSJ disse...

Equipe Papo de Mãe....
Fantástico o programa sobre pais separados
Sou pai separado e meus 3 filhos moram comigo por opção deles desde a separação e hoje também sou padrasto e meus filhos possuem uma boadrasta.
Lindo a relação dos 4 filhos.
Ontem assinaram camiseta de escola de despedida de final de ano e um deles escreveu ao outro "meu irmão - conte sempre comigo - como se fossem irmão de sangue mesmo.

tudo de bom a vcs

Clarissa disse...

WSJ, que legal a sua história! Quem bom que seus filhos e seu enteado se tratam como irmãos! É assim que deve ser, não é verdade?
Ficamos felizes em saber que você gostou do programa. Realmente, estava bastante esclarecedor.
Obrigada pela sua participação e pela audiência! Continue nos acompanhando e mandando seus comentários!
Abraços
Clarissa Meyer
Equipe Papo de Mãe

Letícia Godoy disse...

Meu comentário vai ficar um livro kkkkkkkk, mas vamos lá.
Separei do pai do meu filho qdo ele tinha apenas 11 meses. Sempre achei que relação de pai e filho era muito importante, por isso nunca proibi a convivência deles. Mas o pai nunca foi presente, por opção dele mesmo, chegou ao ponto de qdo ele ia ver o filho ele o chamava de tio. Nunca falei mal do pai dele, até hj é assim, mas resolvi me mudar para bem longe, cansei de mentir para o meu filho, inventar desculpas para não ter que dizer "seu pai não vê vc pq não quer". Mudei e resolvi, não via pq estava longe e esse era o motivo. Sei q hj ele sabe o q aconteceu, lembra, mas nada sai da minha boca, não vou reafirmar o q ele sabe, pra q? Para faze-lo sofrer? eu não.

O meu marido tem duas filhas e a mãe pratica a alienação parental. A coisa é feita de uma maneira, q para vcs terem idéia nós somos casado a 5 anos e este ano q as conheci pessoalmente. A pensão é quase a metade do salário dele, 45%, então não deveria ser o problema, já que ele paga muito mais do que a maioria. Eles viviam num inferno qdo eram casados, muitas brigas, até q ele não aguentou mais e saiu de casa. As meninas são totalemnte manipuladas pela mãe, q deve falar horrores de mim para elas. Ele não abandonou as meninas, mas durante muito tempo ficou dificil tal a manipulação da mãe. Hj é melhorzinha a relação deles, não as vê com tanta frequencia, pq sabe q toda vez q isso acontece a mãe enche a cabeça delas. O que me indigna nisso tudo é que eu que sou a madrasta rsssssss, ela sacaneia com a cabeça das próprias filhas e eu que sou a MAdrasta? Faça me o favor. A minha esperança é q daqui alguns anos elas comecem a perceber tudo que aconteceu e q tudo fique melhor.

Já o meu filho e meu marido tb é meio complicado pq os 2 tem ciumes de mim. Afffffffffff é tudo muito complicado hehehheheheheh, mas vamos levando, quem sabe qdo forem todos adultos a gente consiga ter uma família mais unida e mais feliz.

beijinhossss

Clarissa Meyer disse...

Querida Letícia, obrigada por compartilhar um pouco da sua história. Realmente, não deve ser fácil para você nem para as crianças. A sorte é que eles crescem e, mais tarde, com maturidade, podem tirar as próprias conclusões sem as interferências maternas ou paternas. Eu também tive um caso de alienação parental na minha família foi bem difícil...
Ainda esta semana publicaremos um texto sobre alienação parental e sobre guarda compartilhada (que muitos confundem com guarda alternada).
Beijos!!!

Ana disse...

Oi, sou Ana 38 anos.

Assistir a reprise do dia 14/02 Papo de Mãe é sobre Pais Separados.

Quando o tema mudou para madastra me despertou o interesse.

Eu Ana, e meus irmãos tivemos problemas seríssimos com a madatra, um dos problemas teve um fim drástico (depois de insultos, humilhações, era uma vida de cão, palavrões eram constantes, ameaças iam até a porta da escola, surras e diferenças não morremos por que tínhamos Deus por nós e só.

Eu, Ana como a mais velha tinha minha defesa, procurava proteger meus irmãos, mas quando eu não estava presente, Deus sabia o que acontecia, na época tinha 13/14 anos, 12 anos, 11 anos e 07 anos.

O que faço para liberta do passado pois não esqueço as cenas as palavras.

O acidente de minha irmã aos 12 anos um dano irreversível por culpa dela, minha irmã, fugiu para na não voltar, pois estava cansada, na volta foi atropelada teve traumatismo craniano deixando seqüelas graves, sempre que minha irmã tem crise convulsivas é impossível me livrar do passado.

Nossa família já separada, ela separou de fez, convenceu meu pai vender a casa, passamos a morar de casa em casa de parente, somos adultos cheios de problemas perdidos e solitários. Mas acredito e espero que meu caminho e dela vai cruzar um dia.

Hoje no curso de pedagogia, sei significado de familia do cuidado que devemos ter com uma criança. Vi o quanto perdemos.

Patrícia GM disse...

Pena que nem tudo são flores... Aliás, na verdade mesmo nunca são. As pessoas tentam "ajeitar" as coisas da melhor forma possível, mas nem sempre as consequências para a criança e posteriormente para o adulto futuro são nulas.

Relações humanas em si já são complexas, complicadas, contaminadas por inúmeros paradigmas ditados pela Igreja, pela psicologia, pela mídia corporativa, por inúmeras influências externas e por padrões de certo e errado, como se tudo no universo humano fosse passível de ser dividido como num laboratório de química.

Acredito que muito antes de decidirmos colocar uma pessoa no mundo, devemos pesar muito bem todos os fatores, porque ninguém tem o direito de fazer alguém nascer para posteriormente esta pessoa vir a sofrer por coisas perfeitamente evitáveis. Ter um filho é muito mais do que sonhar com um bebezinho lindo. Porque o bebezinho cresce vira criança, adolescente e adulto; sente, pensa e sofre as consequências funestas de um relacionamento muitas vezes irresponsável, turbulento ou frágil e acaba por perpetuar tal sofrimento, indefinidamente.

Sou radical: pessoas sem um mínimo de saúde emocional, equilibrio, maturidade, segurança e inteligência não deveriam ter filhos. Para não ter que se separar do cônjuge e transformar a vida de um filho num caos permanente, caos esse que todos procuram sanar com paliativos que muitas vezes aparentemente resolvem, mas não são eficientes.

Meu namorado é filho de pais separados. É adulto, hoje, mas sofreu imensamente toda uma sorte de horrores emocionais. E por mais bem intencionadas que tenham sido as intenções de sua "boadrasta", nada vai fazer recuperar o que perdeu. Hoje ele tem dificuldades imensas de perdoar, fruto dos transtornos causados por adultos bem intencionados e irresponsáveis...

Sou filha de pais que estão até hoje casados, mas num casamento de aparências. Trago da infância péssimas recordações e hoje sofro de Transtorno de ansiedade generalizada.

De 1000.000.000 de histórias podemos tirar 1 que seja "realmente" feliz.

Claudia Alvarenga disse...

O meu marido tem duas filhas uma com onze e outro com catorze anos eu sou portuguesa ele brasileiro o meu marido viveu um inferno durante o período em que viveu com a mãe das filhas já foi a tribunal e deram um mês a cada um a mãe alicia sexualmente nas redes sociais e fala isso para as filhas o ex marido dela o ultimo tentou abusar da mais pequena e ainda assistiram o padrasto a sufucar a mãe com uma almofada a filha mais velha é problemática agorasaltta de homem em homem chantageia as crianças fala com elas sobre aquilo que faz com os namorada a guarda não foi dada ao pai porque cidadão estrangeiro é uma situação horrivel